Vidraça

Foto: Sérgio Vale

Os antigos oposicionistas, e atuais membros da base de sustentação do governo – que por vinte anos acusaram os governos da Frente Popular do Acre de interferir nas decisões da Assembleia Legislativa do Estado (Aleac) – deram ontem, 16, a maior prova de que fazem hoje justamente aquilo que, por 20 anos, acusaram os adversários políticos.

Show de horrores

Na sessão em que se apresentou o requerimento para a instauração da CPI da conta de luz, de iniciativa do deputado estadual Jenilson Leite (PCdoB), a plateia assistiu a um verdadeiro show de horrores.

Drible da vaca

Com as assinaturas necessárias à abertura do processo de criação da comissão, o documento nem mesmo foi lido em plenário, após muita delonga por parte dos apoiadores, como manda o regimento interno da Aleac.

Vira, vira, virou!

Já como se estivesse investido no cargo de líder do governo na Casa, coube ao deputado Luiz Tchê (PDT), outrora ferrenho defensor dos governos do PT, parte das articulações que tentavam inviabilizar o trâmite do requerimento.

Manobristas

Em seguida à apresentação do pedido de abertura da CPI da energia elétrica em plenário, a sessão foi suspensa por mais de duas horas, a fim de que os membros da bancada de apoio do governo deliberassem sobre qual medida adotar. Chegou-se, inclusive, a cogitarem que o documento estaria anulado pela retirada de algumas assinaturas.

Burros n’água

Em resposta à artimanha para barrar a criação da CPI que promete investigar os reajustes abusivos na tarifa de energia elétrica no Acre, Jenilson retrucou que justamente para evitar a anulação do requerimento, tivera o cuidado de apresentar outro.

Tá na lei

Chamada, a assessoria jurídica da Casa deu parecer favorável à abertura da comissão – o que significa dizer que, do ponto de vista jurídico, não havia como evitar que a CPI seja criada.

Vais para eles

Nesse contexto, tumultuado por vaias aos deputados aliados do governador Gladson Cameli (Progressistas), os mais achincalhados pela plateia foram o correligionário daquele, o deputado José Bestene, e o postulante a líder do governo Luiz Tchê.

Argumento

Segundo o deputado pedetista, que recentemente emplacou a esposa num cargo de chefia – tendo ela ocupado outro nos governos do antecessor de Cameli –, nada poderia ser feito pelo Parlamento Estadual em relação ao assunto, já que os serviços prestados por concessionárias de energia elétrica são regulados na esfera federal.

Boi na linha

Perguntado por um jornalista se mantivera diálogos com a direção da Energisa, empresa do setor privado que arrematou em leilão, pela bagatela de R$ 50 mil, o patrimônio público que compunha a antiga Eletroacre, Tchê foi taxativo: “De jeito nenhum!”.

Da água pro vinho

Confrontado, porém, com a informação de que a empresa confirmara ter aberto um canal de diálogo com o parlamentar do PDT, a versão mudou numa fração de segundos: “A conversa que tive com a Energisa foi pra cobrar informações”, justificou Tchê.

Reação

Quanto a José Bestene, do mesmo partido do governador Gladson, ele foi à tribuna afirmar que os deputados favoráveis à Comissão Parlamentar de Inquérito estariam jogando para a plateia. Foi bastante vaiado pelos presentes nas galerias.

Pergunta que não quer calar

Resta saber por que cargas d’água os deputados da base aliada tentaram a todo custo, ontem, derrubar a investigação parlamentar proposta por Jenilson Leite. Afinal de contas, que interesse poderia ter o atual governo – ou os próprios parlamentares – em manter longe das manchetes dos jornais, por conseguinte do cidadão achacado por aumento incompatível com a inflação do período, informações que, em tese, são exclusivas da nova concessionária de luz?

Aloprados

Ainda sobre o mesmo assunto, o deputado Fagner Calegário (PV) disse que a ‘jogada’ do governo se mostrou “atrapalhada” ao tentar atrasar a instalação da CPI.

Inevitável

“Estão tentando evitar o inevitável. Já temos as assinaturas (suficientes para a abertura da CPI) . O que se apresenta é um governo desorganizado, com uma base de apoio que está indo contra os interesses da população”, afirmou Calegário.

Protelação

Segundo o que foi apurado pela coluna, os governistas tendem a esvaziar as sessões desta quarta-feira, 17, a fim de protelar o quanto possível a instalação da CPI da conta de luz.

Ponderado

Entre tantos exaltados, o deputado Roberto Duarte Jr. (MDB) tratou de manter a coerência ao criticar aqueles que tratam de vender à população acreana a ideia de que a CPI teria o poder de reduzir a tarifa de energia elétrica.

Limites

“A CPI terá resultados. Mas não podemos mentir, dizendo à população que com ela o preço da luz elétrica será reduzido, porque, afinal de contas, não temos esse poder”, disse Duarte da tribuna.

Papel da comissão

Segundo o parlamentar emedebista, os deputados que compõem o grupo favorável à CPI vão analisar a cobrança do ICMS, os supostos erros nas leituras dos medidores, o teor do contrato de venda da estatal e os detalhes da transação que culminou com a aquisição da Eletroacre pelo grupo empresarial que compõe a Energisa.

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