Quem quer conhecer o conto das Galáxias?

Foto: Reprodução

Valdeci Duarte (*)

Quando eu era um jovem de 23 anos, no ano em que cursava o primeiro ano da minha primeira faculdade, cheguei a compartilhar com colegas de turma sobre o meu desejo de escrever um livro autobiográfico para que as pessoas conhecessem um pouco da minha vida e das muitas lutas que tinha travado até chegar naquele momento. Eu cria que a minha história poderia inspirar novos sonhadores.

Eles já sabiam que eu era escritor com um livro de poemas publicado há 3 anos e que por esse motivo me apelidaram carinhosamente de Poeta. No dia em que comentei sobre esse meu desejo, lembro que foi motivo de grande gargalhada por parte de alguns deles e uma colega até chegou a dizer: o que mesmo você tem para contar?

Foi em tom de brincadeira, mas algumas dessas brincadeiras sutis acabam por matar os sonhos dos pobres sonhadores. Felizmente eu não era pobre, porque já era rico da graça de Deus e o meu sonho não morreu.

Hoje me alegro muito por esta aspiração realizada. Algo que Deus me deu com objetivo claro de que é necessário deixar às pessoas exemplos de vida para que creiam, e, crendo, possam realizar os seus próprios sonhos.

Dez anos depois, no finalzinho de 2013, eu passei por uma experiência única, um acidente mortal, do qual o Deus do impossível me fez escapar quase ileso, apesar de um braço quebrado e quinze dias de internação, dez dos quais, inconsciente.

Creio que existem pessoas que teriam se abatido com esse evento que protagonizei, ou mesmo, teriam encontrado uma excelente oportunidade para passar o resto da vida se lamentando e assumindo o papel de coitadinho.

Afinal quem já não se viu com um braço quebrado ao meio, sem plano de saúde para se tratar e depender de um sistema público de saúde caótico? Ou ainda ter de encarar uma gigantesca fila de espera para conseguir uma consulta ou uma cirurgia para se tratar adequadamente?

Foi esse o meu caso, mas vi naquela situação uma oportunidade única que Deus estava me permitindo passar e com isso me ensinar o quanto sou privilegiado por crer em alguém assim, único, verdadeiro, fiel, justo, poderoso, infalível e que tanto me amou ao ponto de um dia entregar o seu próprio e único filho para resgate da minha vida.

É tudo verdade. Basta crer e ver o agir Dele na sua vida. Eu sei do que falo. Ele não permitiu que a minha história acabasse ali, no fundo da gigantesca ribanceira, no quilômetro 46 da estrada que liga a cidade de Rio Branco à cidade de Porto Acre, ambas no Estado do Acre.

Lá, passei mais de vinte horas, com uma noite inteira no meio, guardado pelos anjos de Deus até ser encontrado por um grupo de colegas de trabalho que se engajaram nas buscas do desaparecido e, como familiares, ignoraram a clássica afirmativa da polícia que defendiam que alguém desaparecido só deveria ser procurado 24 horas depois.

O médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência – SAMU que me atendeu disse que a minha temporada estava acabando e que eu tinha sido encontrado no tempo limite entre a vida e morte. Nesse caso, 24 horas para começar a procurar, para mim seria o fim.

Então é isso. Este é um livro de biografia ficcionada, baseado em fatos reais. O enredo gira em torno desse evento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha vida. Trata-se do ocorrido quando eu estava vivendo o ano de 2013, ou o ano 33 da minha vida.

Eu sou um funcionário público aposentado. Aos setenta e três anos, após ter o reconhecimento, não apenas como servidor público, mas também como homem de família e escritor, resolvo historiar para filhos, netos e bisnetos sobre esse evento marcante na minha vida, ocorrido há exatos 40 anos.

Confesso que fujo um pouco do evento em si, o acidente, e, com isso, inicialmente narro situações curiosas da minha vida, que meus filhos, netos e bisnetos naturalmente desconhecem, como é o caso da luta pela conquista dos meus estudos, o início da minha carreira de escritor, meus problemas familiares, a realização dos meus sonhos de ser professor universitário, minha vida cristã, além da carreira de servidor público e os problemas sociais que vivi numa época mais jovem da minha vida.

Após isso, narro detalhes do acidente. Em especial os fatos que ocorreram antes, durante e depois, quando da minha recuperação. No percurso da narração os leitores entenderão o contexto em que vivi esse meu grande e maior desafio daquele meu ano 33 e também as suas consequências.

Há no final do enredo uma revelação interessante. Certamente o leitor atento a encontrará. Pensei essa história não para todos, mas em especial ao meu menino caçula que é um homem influente, no seu meio, mas nunca tributou a Deus o seu grande sucesso e quero dedicar também a cada leitor que poderá ter a sua própria revelação sobre o desfecho desta peça contada. É isso: uma biografia meio realidade, meio contada, quase ficcionada, mas uma coisa é certa, foi produzida para quem deseja conhecer o conto Das Galáxias.

(*) Valdeci Duarte – um sobrevivente, agraciado pela misericórdia de Deus.

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