Oitenta tiros no meu coração

Foto: Cedida

Alessandro Gondim da Frota (*)

O destino me golpeia com uma faca em chamas
O céu despido de nuvens cinzas
Um raio ilumina a cidade cega de paixão
Um corpo podre flutua no rio da banalidade

Futilidade norteando os homens ao curral
A cidade da utopia criando distopia real
Doses diárias de ilusão é preciso para alimentar alma do cidadão
Ortodoxia solapando o homem sem razão

Eutopia morta e enterrada na utopia
Cidade mergulhada na mixofilía
Içar velas rumo ao caos conhecido
Caricaturas de medos perdidos
Arvesão aos versos da sonífera canção

Pleonasmo nesses versos rasos
Raso coração naufragou no mar da inquisição
Transpirando poesia sob o sol da agonia
Inspirando terror na cidade platônica
Platonismo para o povo esquecer sua aflição
Oitenta tiros perfurou meu frágil coração
O silêncio dominou a pobre nação

(*) Alessandro Gondim da Frota – É escritor, reside em Rio Branco/AC e completa o time de membros da Sociedade Literária Acreana – SLA.

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