Mortes violentas seguem em queda no Acre; assassinatos caem 25% no 1º quadrimestre

Estado teve 108 mortes violentas nos primeiros quatro meses do ano – Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros do Acre

O Acre registrou uma queda de 25% nas mortes violentas nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2018. É o que mostra o índice nacional de homicídios criado pelo G1, com base nos dados oficiais dos 26 estados e do Distrito Federal.

Somente em abril, houve 22 assassinatos contra 34 no mesmo mês do ano passado. Já no 1º quadrimestre, foram 108 mortes violentas — 36 a menos que o registrado nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2018.

Com a redução dos casos, o estado saiu da segunda maior taxa de mortes do país, no primeiro bimestre deste ano, para a nona colocação no ranking dos estados, com uma taxa de 2.4. O estado que aparece em primeiro lugar é o Amapá, com taxa de 4.49.

O levantamento faz parte do Monitor da Violência, uma parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A ferramenta criada pelo G1 permite o acompanhamento dos dados de vítimas de crimes violentos mês a mês no país. Estão contabilizadas as vítimas de homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. Juntos, estes casos compõem os chamados crimes violentos letais e intencionais.

Em 2019, no mês de janeiro foram registradas 32 mortes violentas. Já em fevereiro, foram 29, em março, 25 casos e abril, 22. No mês de janeiro do ano passado foram 51 homicídios, em fevereiro 30, março, 29 e no mês de abril 34 mortes violentas.

O que está por trás da redução

Para entender o que pode estar por trás da tendência de queda, o G1 foi a fundo nos cenários de segurança pública de três estados que se destacaram por suas reduções desde 2018: Acre, Ceará e Rio Grande do Norte. Especialistas, integrantes e ex-integrantes dos governos e entidades foram consultados para levantar as principais medidas tomadas nos estados que podem ter resultado na queda da violência. Saiba mais.

No Acre, foram ouvidos o coordenador adjunto do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Bernardo Fiterman Albano, a juíza da Vara de Execuções Penais de Rio Branco, Luana Campos, o delegado Rêmullo Diniz, que foi o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) por dois anos e meio, e o ex-diretor-presidente do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen-AC) Aberson Carvalho.

Juntos, eles destacam algumas ações tomadas ao longo dos anos para tentar controlar a atuação das facções criminosas no estado.

Estão entre elas:

  • a implantação de fato do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) no Presídio de Segurança Máxima Antônio Amaro Alves em Rio Branco;
  • a criação de uma delegacia voltada para investigar somente os crimes de homicídio – DHPP;
  • a separação dos presos por facção dentro das cadeias do estado;
  • as constantes operações de revistas dentro dos presídios.

Atualmente, quatro grupos criminosos disputam territórios no estado – dois com origem no Sudeste do país (PCC e Comando Vermelho) e outros dois que surgiram no Acre (Bonde dos 13 e Ifara).

Dados nacionais

No Brasil, a queda foi de 23% no número de mortes violentas nos primeiros quatro meses deste ano em comparação com o mesmo período de 2018. Somente em abril, houve 3.636 assassinatos, contra 4.541 no mesmo mês do ano passado. Já no 1º quadrimestre, foram 14.374 mortes violentas — 4,3 mil a menos que o registrado nos meses de janeiro, fevereiro, março e abril de 2018.

A tendência de queda nos homicídios do país foi antecipada pelo G1 no balanço dos dois primeiros meses do ano, que apresentaram redução de 25% em relação ao mesmo período do ano passado, e no balanço das mortes violentas de 2018, que teve a maior queda dos últimos 11 anos da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, com 13%.

O número de assassinatos, porém, continua alto. Nos primeiros quatro meses de 2019, uma pessoa foi assassinada a cada 12 minutos no país em média.

Em abril, apenas quatro estados tiveram um número maior de mortes em relação ao mesmo mês de 2018: Amapá, Paraná, Piauí e Tocantins. Três estados tiveram quedas superiores a 30% em quatro meses entre eles Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte. Em números absolutos, o estado com a maior redução foi o Ceará, com 845 vítimas a menos no período.

Portal G1/AC

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