Polícia

    Polícia Civil aguarda laudo para confirmar causa da morte de travesti no AC e tenta identificar agressores

    Delegado diz que, a princípio, não foram identificadas lesões externas e, por isso, precisa do resultado do laudo pericial. Crime ocorreu nessa quinta (25) no bairro Preventório

    A Polícia Civil aguarda o resultado do laudo cadavérico que deve confirmar a causa da morte da travesti Fernanda Machado da Silva, de 27 anos. O crime ocorreu na madrugada desta quinta-feira (25), na Rua Minas Gerais, no bairro Preventório, em Rio Branco.

    As informações iniciais registradas no boletim de ocorrência da Polícia Militar apontam que a vítima foi morta a pauladas após ser abordada por duas pessoas em um ponto de prostituição na capital.

    Porém, segundo o delegado responsável pelo caso, Cristiano Bastos, da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), a princípio, não foram identificadas lesões externas na vítima. O resultado do laudo deve sair em um prazo de 30 dias.

    “Tenho que aguardar o laudo pericial, pois, a princípio, não haviam lesões externas. Mas estamos investigando independente dessa situação, buscando identificar os agressores”, afirmou o delegado.

    O Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) informou que a dupla se aproximou da travesti e começou a acusar a vítima de ter furtado um celular. Mesmo ela negando que tivesse feito o furto, as duas pessoas começaram a espancar a vítima com pedaços de pau. O crime ocorreu por volta das 2h50.

    Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, iniciou ainda os primeiros socorros, mas a travesti morreu dentro da viatura antes mesmo de ser levada para o pronto-socorro. O corpo foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) para os procedimentos cadavéricos.

    Morte mobilizou entidades

    A morte da travesti Fernanda a três dias Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, celebrado no dia 28 de junho, causou comoção em diversas entidades que se manifestaram através de notas.

    Ao G1, a vice-presidente da Associação das Travestis e Transexuais do Acre (ATTRAC), Rubby Rodrigues, informou que está acompanhando o caso e que a associação está levantando mais informações sobre o ocorrido.

    Em uma publicação assinada pela “Equipe da Coletiva Teatral Es Tetetas” no Instagram de Rubby, o grupo lamentou a morte de Fernanda e fez duras críticas aos elevados números de casos de violência e morte contra travestis.

    “Nós, transvestigêneres ativistas e não ativistas de gênero, poetas, educadoras, putas, etc, lidamos com a morte e o medo da morte desde que decidimos pôr a cara no sol ou na lua. Nós sabemos que dentro da política de extermínio da sociedade em que vivemos, nossas corpas estão na linha de frente, principalmente as corpas transvestigêneres que têm como principal fonte de renda o trabalho com a prostituição”, diz a nota.

    A Fundação Garibaldi Brasil (FGB) emitiu uma nota em que afirma que Fernanda era brincante na quadrilha junina Malucos na Roça e também atriz que tinha participado da gravação do filme acreano “Noites Alienígenas”.

    “No mês do Orgulho LGBTQIA+, Rio Branco perdeu uma militante. Segundo amigos, Fernanda afirmava sempre que a Cultura a ajudou a sair da invisibilidade e ocupar seu lugar no mundo, e que ela era muito agradecida por isso. Enfatizamos o questionamento feito pela Associação de Travestis e Transexuais do Acre: a três dias da data em que se comemora o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, o que devemos celebrar?”, questiona.

    O Coletivo de Mulheres da Universidade Federal do Acre (Ufac) também se manifestou. “Uma jovem cheia de vida, uma amiga atenciosa, uma estudante com muitos planos, uma lutadora que realizou o sonho de ter alterado seu registro para que o estado reconhecesse sua verdadeira identidade. Morta pela intolerância e a crueldade de uma sociedade que reiteradamente vira as costas para as violências cometidas contra as minorias sociais”, diz.

    MP acompanha

    Ainda na tarde dessa quinta (25), o Ministério Público do Acre (MP-AC) lançou uma nota informando que acompanha o caso por meio do Centro de Atendimento à Vítima (CAV).

    Na nota, à procuradora de Justiça Patrícia Rêgo, que é coordenadora do CAV, destacou que o Brasil está entre os países que mais registram homicídios de pessoas transgêneras e travestis.

    “O MP acreano, comprometido com a promoção dos direitos fundamentais, reafirma o princípio constitucional da dignidade humana e informa que, através do CAV, está acompanhando o caso de perto e vai adotar as medidas cabíveis para garantir a apuração e elucidação dos fatos e as circunstâncias envolvendo a morte da referida jovem, como também orientando e apoiando os seus familiares”, destaca.

    Image
    Image