Geral

    MP denuncia homem que informava local de blitz no interior do Acre através das redes sociais

    Um homem foi denunciado à Justiça por alertar em grupos de rede social sobre uma blitz de trânsito em Cruzeiro do Sul, interior do Acre. O Ministério Público do Acre (MP-AC) ofereceu denúncia contra o suspeito ao Juízo da 2ª Vara Criminal do município esta semana.

    Divulgar blitz em grupo de redes sociais é um crime previsto no artigo 265 do Código Penal Brasileiro. O artigo afirma que “atenta contra a segurança ou o funcionamento de serviço de água luz, força ou calor, ou qualquer outro de utilidade pública”.

    Caso for condenado, o homem pode pegar até cinco anos de prisão. Ao G1, o promotor de Justiça, que ofereceu a denúncia, Júlio César de Medeiros, contou que o homem foi flagrado há cerca de um mês, no bairro Centro.

    “O PM percebeu o indivíduo fotografando, foi preso e ainda confessou, tinham provas nas mãos dele. Sabemos que essa prática é costumeira, tanto em Cruzeiro do Sul como de outras cidades. É algo extremamente complexo”, reafirmou.

    Prisão

    Ao ser flagrado, o homem teria confessado que avisava em um grupo sobre a blitz da polícia. Ele foi preso, levado para o presídio, porque não pagou a fiança, e liberado por um juiz dias depois.

    “Se for uma pessoa primária, sem antecedentes, pode ser proposto benefício da suspensão condicional do processo, que seria uma prestação pecuniária, comparecimento ao juízo, prestação de serviço. Se for reincidente, o processo segue e tem uma sentença de até cinco anos de reclusão, Mas, em regra, deve pegar um regime semiaberto”, complementou.

    Caso semelhante

    Um caso semelhante ocorreu no município de Mâncio Lima, cidade vizinha de Cruzeiro do Sul. A polícia de Mâncio Lima conduziu para a delegacia, no mês de maio, um motorista que monitorava uma ação da PM de fiscalização no trânsito.

    Medeiros destacou que a comarca de Mâncio Lima também ofereceu denúncia pelo caso registrado em maio na cidade. César explicou que as pessoas criticam esse tipo de ação, mas que o principal objetivo é prender foragidos da Justiça ou apreender objetos ilegais.

    “Ninguém falou que fazer uma blitz é para arrecadar dinheiro para o estado.As pessoas criticam, quando a gente sabe que dentro dos grupos de WhatsApp tem os integrantes de organizações criminosas infiltrados. Aí a sociedade fica ‘vamos divulgar a realização de blitz, estão prendendo um pai de família’ e tem lá o faccionado vendo tudo isso”, lamentou.

     

    Por que é mais difícil fazer amigos depois dos 30 (e como resolver isso)?

    Quando criança, fazer amigos era fácil. Eram os vizinhos, os colegas de escola ou os primos, pessoas da sua idade com as quais você ficava muito tempo e a quem muitas vezes bastava perguntar diretamente se queriam ser seus amigos. Na adolescência e aos 20 anos, a situação continuava propiciando o surgimento de novas amizades: no colégio, à noite, na universidade... No entanto, depois dos 30 anos muita gente começa a sentir que fazer novos amigos é quase impossível. Além disso, muitos dos amigos de toda a vida começaram a desaparecer, exatamente como na canção 20 de abril, da banda espanhola Celtas Cortos: “Hoy no queda casi nadie de los de antes, y los que hay, han cambiado” (Hoje não resta quase ninguém de antes, e os que ficaram, mudaram).

    Um estudo realizado pelas universidades de Aalto (Finlândia) e Oxford (Reino Unido) em 2016 confirmou essa sensação de que com a idade nosso círculo de contatos se reduz. Os pesquisadores analisaram os telefonemas feitos dos celulares dos participantes do estudo e concluíram que nossos círculos de amizades atingem seu pico aos 25 anos. A partir daí começa uma queda vertiginosa, especialmente no caso dos homens, que mantêm menos amigos quando entram nos trinta. O problema não é apenas perdermos os contatos, mas também não os substituirmos.

    Natàlia Cantó, especialista em sociologia das emoções e professora da Universidade Aberta da Catalunha (UOC), também confirma que a sensação de que é mais difícil fazer amigos depois dos 30 anos é verdadeira. Mas acredita que “não tem tanto a ver com a idade como com as circunstâncias da vida”. Não perdemos habilidades sociais, mas geralmente “começamos a trabalhar regularmente” e, às vezes, “deixamos de morar com nossos pais, por nossa conta ou dividindo moradia para viver com nosso parceiro e/ou nossos filhos”.

    Segundo a pesquisadora, isso faz com que “o horizonte de nossas responsabilidades” mude completamente e “o tempo que podemos dedicar para cultivar novas amizades, e até para cuidar daquelas que já temos, se torna escasso”.

    Maternidade e afinidades

    Cristina Vidal, psicóloga e diretora do centro PsiCo Lleida, explica que as amizades de adultos vêm mais de afinidades do que dos acasos da infância. “Para conhecer gente depois dos 30 é mais fácil procurar pessoas em contextos afins ou que desempenhem papéis semelhantes aos nossos”, diz ela. “Se temos filhos, com pessoas com filhos, e se não, com pessoas sem filhos.” Da mesma forma, se, por exemplo, você leva “uma vida saudável e pratica esportes”, você se encaixará mais “com as pessoas que têm esse mesmo estilo de vida”.

    Borja Carrasco, de 35 anos, de Madri, está ciente de que na sua idade é mais difícil fazer amigos porque socialmente “você se relaciona com menos gente”. No entanto, diz que conseguiu “na base de ir todo fim de semana no mesmo bar” e sempre se encontrar “com as mesmas pessoas”. Agora também estão fora desse contexto: “Saímos para comer e convidamos uns aos outros para aniversários e tudo mais”, diz ele.

    Outro local em que as amizades podem surgir a partir dos 30 anos é no trabalho. Embora a pesquisadora Natàlia Cantó ressalve que “às vezes é um ambiente cheio de armadilhas para a amizade”, é um lugar em que as pessoas passam mais horas do dia. Juan Vázquez, 45 anos, conheceu um de seus melhores amigos assim, de forma inesperada. “No começo eu me sentia péssimo, coisas do trabalho. Depois comecei a perceber que tínhamos um senso de humor parecido, ríamos com as mesmas coisas e tínhamos interesses parecidos. E papo vai, papo vem, chegou à intimidade. E era meu chefe!”

    Marta Cabrera é das que fizeram amizades com outras mães. Esta moça de 35 anos da Galícia, morando em Saragoça, cercou-se de “outras mães com as quais compartilha a forma de educar”. No começo da “escola ou da piscina, ou música, entre centenas de pais” com os quais convive, os que têm afinidades se aproximam e “surge e amizade”.

    Antia Paz, também de 35 anos, está em situação de vida parecida. Para ela, “a maternidade é muito solitária”, especialmente quando não se está perto da família. “Percebi muito a necessidade de criar novas amizades”, conta. E conseguiu um pouco por acaso, quando lhe deram de presente um sling (porta-bebê) e não tinha ideia de como usá-lo. Então, ela foi assistir a uma aula na qual não só aprendeu sobre esse sistema de transporte que garante contato constante entre o bebê e o adulto, mas a garota que dava o curso lhe explicou que as mães constituíam “uma pequena tribo”. Lá ela encontrou pessoas com interesses comuns e, pouco a pouco, a amizade foi surgindo.

    Carlos Álvarez, de 46 anos, fez amizades entre os pais dos amigos de seu filho. Além disso, acrescenta uma outra nuance: “A ideia que têm de você os amigos que você faz depois de uma certa idade é radicalmente diferente daquela dos de toda a vida”.

    Mais improvável, mas mais segura

    As novas amizades de maturidade tendem a ser diferentes das dos jovens. Geralmente, como já mencionamos, são amizades mais baseadas em afinidades. Mas, também, explica a psicóloga Cristina Vidal, nessa idade as pessoas são mais “seletivas” porque cada um “se conhece melhor e sabe melhor o que lhe agrada”.

    Isso retarda um pouco a passagem da amizade superficial para a íntima — não se faz amizade com qualquer um —, o que faz com que seja “menos provável”, mas “mais segura”. “Depois dos 30 anos, acumulamos decepções e somos mais cautelosos quando se trata de confiar”, acrescenta Vidal.

    Nessas novas amizades, Borja Carrasco, o entrevistado que fez um círculo de amigos frequentando um mesmo lugar, afirma que quando mais velhos temos a vantagem de nos conhecermos melhor e não precisar fingir. “Isso os demais agradecem e você agradece que façam o mesmo. Se você conhece alguém de quem gosta e com quem tem química, é provável que a amizade se mantenha, já que você não vai mudar da noite para o dia”, comenta.

    Juan Vázquez, aquele que fez amizade com o chefe, diz que “uma vantagem de ter mais de 35 anos é que se vai deixando de lado algumas pessoas: essas amizades que se faziam aos 20, com as quais nem sequer havia muito em comum, a não ser ir à mesma escola ou faculdade”. Além disso, com estes novos amigos não há “nostalgia absurda e ninguém julga o outro por ser alguém que não era”.

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