A flauta e o voto

Foto: Reprodução

Por Maxilane Martins Dias (*)

Era uma vez, em um tempo passado, mas, não tão passado assim, um Reino disfarçado de República, onde a mentira e a corrupção imperavam.

Na capital desse Reino, boa parte da nobreza e a classe política, refestelavam-se com o dinheiro do povo.

As almejadas e prometidas melhorias nos setores públicos da educação, da saúde, da segurança, do saneamento e da infraestrutura, eram negligenciadas ou superfaturadas em negociatas, com recheio de propina, tal qual um bolo com cobertura recente, mas de recheio podre, com fungos e bolor mortais.

E fatias desse bolo eram oferecidas as massas do povo, como dádivas, como benefícios sociais.

Os diversos setores que poderiam trazer riqueza, credibilidade e dá estabilidade ao Reino, eram, constantemente, denunciados, por envolvimento com corrupção: setor de portos, de produção de petróleo, as indústrias de exportação.

Nesse Reino, havia, ainda, um alto índice de desemprego. Como o Reino era grande, de dimensões continentais, com muitos súditos, havia milhões de desempregados.

Os setores realmente produtivos e a classe trabalhadora, a verdadeira classe trabalhadora, eram espoliados, com a carga tributária.

No Reino, alguns dos mais antigos contam que, certa vez, um grupo de carroceiros e charreteiros se revoltaram, e pararam o Reino. Nem carroça, nem charrete, até mesmo, bois e cavalos, não iam e nem vinham. Exigiram mais respeito e dignidade com seu trabalho! Mas, na prática, nada mudou (é o que dizem os mais sábios).

Havia muita desconfiança.

O povo estava desacreditado de seus representantes.

As perspectivas de melhorias eram ínfimas.

Certa noite, um menino sonhou que no Reino, aparecia um Flautista Mágico, que hipnotizou todos os líderes mentirosos e corruptos.

Uma multidão foi se formando de diversos pontos do Reino.

Como aquele Reino tinha um extenso litoral, todos os corruptos foram conduzidos, ao som da flauta do flautista, às profundezas do mar.

Mas, antes que adentrassem ao mar, esvaziaram seus bolsos.

Montanhas de moedas de ouro se formaram nas praias. Era uma riqueza quase incalculável!

Com o dinheiro, os novos líderes governantes, arrumaram a saúde, a segurança, a educação, e muitas outras coisas.

O Reino começou a funcionar para todos.

O desemprego acabou. A falta de moradia digna acabou. A violência cessou, inclusive, em uma província apelidada de Cidade Maravilhosa. Pois, com forte investimento em infraestrutura, educação e trabalho digno para todos, não havia mais motivo para se traficar entorpecentes.

Com inteligência, equipamentos apropriados, e um corpo policial bem treinado, em parceria com as comunidades, a violência foi vencida.

As melhorias no Reino eram incontáveis, daqui a quinhentos anos você ouvirá falar delas, de tantas que foram.

Os súditos estavam tranquilos e felizes.

Ao acordar, pela manhã, na hora do café, o menino perguntou ao pai:

— Pai, esse ano tem eleição?

— Tem meu filho.

— Em quem o senhor vai votar?

O pai, intrigado, com as perguntas do filho, indagou:

— Por que você pergunta meu filho?

O filho, então, contou o sonho…

Foi então, que o pai percebeu, que quando não se tem um Flautista Mágico, para limpar um Reino ou País, de líderes e políticos corruptos, a melhor forma é o voto consciente de cada cidadão.

O voto assim é como uma Flauta Mágica, semelhante àquela usada pelo Flautista de Hamelin, para remover os ratos da cidade.

Portanto, use tua flauta, teu voto, para remover os ratos, os líderes e políticos corruptos.

Fica a dica…

Ao político eu digo: não se ofenda com essa história, afinal, a mensagem é apenas para os súditos…

(*) Maxilane Martins Dias – Professor e autor de três livros de literatura infantil: “Horácio: o burrinho aventureiro”, “Cachinhos de Uva e os Três Ursos” e “A menina que roubava”. Ele é membro da Sociedade Literária Acreana.

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