Rio Branco registrou em 2018 mais de 100 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes

Penas para crimes hediondos podem chegar a até 30 anos de prisão – Foto: Reprodução

Em Rio Branco, só no ano de 2018 foram instaurados 111 procedimentos para apurar a prática de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes, segundo levantamento da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA).

Neste sábado (18), é celebrado Dia Nacional Contra o Abuso e Exploração Sexual Infantil e o G1 fez um levantamento para saber os números entre 2017 e 2018.

Entre 2017 e 2018, foi registrada uma redução de 10% nas notificações gerais, segundo os dados. Neste primeiro ano, a delegacia registrou, entre inquérito policial, auto de apreensão em flagrante e boletim circunstanciado 123 procedimentos. No último, entre todas as ocorrências, 111.

Já nos primeiros meses de 2019, foram registrados 56 procedimentos. Deste total, 49 viraram inquérito policial para investigar as denúncias.

De acordo com o delegado geral adjunto, Marcos Cabral, na maioria destes casos, o crime é cometido por pessoas do convívio da vítima. Além disso, ele afirma que os números ainda são elevados, mas o trabalho da polícia é de dar celeridade e alcançar a condenação.

“A delegacia especializada da Mulher, de Proteção à Criança e ao Adolescente têm se empenhado para dar celeridade a esses crimes, coagindo e também com o trabalho repressivo e, com certeza, essas prisões que se deram após investigações é um dos fatores mais atenuantes para esta redução”, pontua.

Levantamento no Estado

Os dados repassados pela delegacia especializada referem-se apenas à capital Rio Branco. De acordo com o delegado, um levantamento de todos os municípios do estado está em andamento.

“Estamos fazendo o levantamento por cidades e por crimes. Estamos trabalhando nisso, com os crimes mais graves, considerados hediondos, como estupro e abuso sexual”, informou o delegado.

Denúncia

Marcos Cabral explica que esse reflexo das denúncias, principalmente, nas já registradas em 2019, se devem à confiança que as pessoas estão criando na polícia, quando vê alguém ser punido pelo crime cometido após a investigação.

“Essa sensação de justiça, através da punição, por meio de sentença condenatória, fruto de uma investigação anterior, isso traz esse sentimento de justiça e faz com que as pessoas procurem a autoridade policial para denunciar o crime”, enfatiza.

O delegado ainda explica que, hoje, há vários mecanismos para que a denúncia seja feita. Muitas vezes, vizinhos, a escola, conselhos tutelares, e toda a rede de atendimento à criança têm feito esse trabalho.

“Por isso que as escolas, o Conselho Tutelar tem um papel fundamental para que chegue até a polícia essa informação. Às vezes pelo comportamento da criança retraída, poucos amigos, então a partir daí já são alguns indicadores de que algo está errado, e com uma investigação preliminar, o caso dá entrada na delegacia dessa notícia”, explica.

As penas para crimes hediondos podem chegar até 30 anos de prisão e, segundo Cabral, é uma das formas de coibir o abuso sexual. “Tanto que as duas delegacias têm efetuado um papel importante de solução dos casos”, conclui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *