Poronga

    Astúcia

    Observador da cena política acreana destaca sagacidade nas ações políticas recentes do governador Gladson Cameli (PP) ao tentar criar um grupo para chamar de seu, saindo da orbita das lideranças do conglomerado que sustentou sua eleição. 

    Engrenagem

    A jogada de mestre de Gladson é enxergada quando ele  declina apoio em Rio Branco a reeleição da prefeita socialista Socorro Neri e também a uma possível aliança para a reeleição da petista Fernanda Hassem em Brasiléia, espraiando sua ascendência sobre o Vale do Acre.

    Conglomerado 

    A observação remete principalmente ao PSDB do vice governador Major Rocha; ao MDB do deputado  Flaviano Melo e do ex-prefeito de Cruzeiro do Sul  Vagner Sales; ao PP, sob as ordens do deputado José Bestene e ao PSD de Sérgio Petecão. 

    Tutores

    É que esses partidos tem nos políticos enumerados seus patronos  e estes possuem aspirações políticas próprias, que nem sempre vão de encontro aos interesses futuros do governador. 

    Pule de dez

    No dizer do interlocutor da coluna, é questão de tempo a quadra  dos partidos citados acima buscar refúgio fora do guarda chuva político de um projeto em que Gladson figure como ator principal, como foi o caso das eleições de 2018. Para o interlocutor, as citadas siglas já deram sobejas demonstrações que, atendendo as aspirações de seus ‘donos’, num futuro caminharão em contraponto ao projeto de Gladson. 

    Porte 

    Agora mesmo o vice governador Wherles Rocha manobra para tomar de assalto o PSL no Acre, tornando-o siamês do PSDB nas disputas municipais, inclusive na capital Rio Branco,  vez que o partido que abrigou o presidente Jair Bolsonaro na peleja  presidencial de 2018 detém o 2ª maior bancada no Congresso Nacional.

    Caixa alto

    Ainda sobre a incorporação do PSL aos domínios do vice governador Major Rocha, vale salientar que o partido detém o 2º maior tempo de televisão para a propaganda eleitoral, além de ocupar a mesma posição quando o assunto é o  Fundo Especial de Financiamento de Campanha, orçado em R$ 2 bilhões e 35 milhões, sendo que este ano a fatia do PSL será de R$ 193 milhões,  atrás tão somente do PT que receberá R$ 200 milhões, valores estes a serem distribuídos nas diversas unidades da federação.

    Dois coelhos ...

    Sobre esse prisma, o observador salienta que Gladson acerta quando tenta criar grupo orbitando ao redor de sua figura política, buscando no espólio da Frente Popular militantes para a sua causa. 

    ... uma cajadada

    Os movimentos que buscam integrar a prefeita Socorro Neri (PSB) ao seu projeto tem como resultado imediato a incorporação da sigla às futuras caminhadas de Gladson, presente, ainda, que o presidente regional dos socialistas  vem a ser o ex-deputado federal César Messias, político com relação consangüínea com governador. 

    Mãe Dinah

    A prosperar a idéia que já circula em Cruzeiro do Sul de que César Messias poderá concorrer ao paço da capital do Juruá, com o apoio do PP do atual prefeito Ilderlei Cordeiro em contraponto à candidatura de Fagner Sales (MDB), sustentada pelos caciques Wherles Rocha (PSDB) e Vagner Sales (MDB), em caso de vitória de Messias e de Neri em Rio Branco, Gladson terá dado o cheque mate nos principais atores políticos do estado. É aguardar a previsão e o desenrolar dos fatos para atestar se as previsões do interlocutor da coluna guardará lógica. 


    Poronga 002

    Recurso 

    O Ministério Público do Rio recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão que deu foro privilegiado ao senador Flávio Bolsonaro no âmbito do Caso Queiroz. A Promotoria entende que os desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio foram na contramão do atual entendimento do Supremo sobre o foro especial, e que o processo de Flávio deve continuar na primeira instância.

    Fórum 

    Os desembargadores fluminenses deram a ele o direito de ser julgado pelo Órgão Especial do TJ, onde os deputados estaduais do Rio têm foro. Isso porque ele exercia essa função durante o período em que teria cometidos os crimes apontados pelo MP ao longo do inquérito das ‘rachadinhas’. 

    Entendimento 

    Atualmente, contudo, o entendimento do STF é de que, uma vez fora do cargo, o político não tem mais direito ao foro especial – mesmo que, como é o caso de Flávio, ele tenha sido eleito para outro cargo eletivo.

    Invencionice 

    Na reclamação, os promotores elencam uma série de decisões recentes do Supremo que desautorizam o que foi aprovado pela Justiça do Rio. E, com tons de ironia, ressaltam o caráter supostamente inovador da decisão dos desembargadores. “(…) A decisão da 3ª Câmara Criminal promoveu uma ‘inovação’ indevida em nosso ordenamento, pelo que não merece prosperar”, diz um trecho do recurso.

    Sanatório geral 

    Entre decisões do STF citadas na reclamação está uma sobre o próprio caso de Flávio Bolsonaro: o ministro Marco Aurélio já havia determinado que o atual senador não tem direito a foro especial, dado que perdeu o cargo no qual teria cometido os crimes. Portanto, o MP entende que a 3ª Câmara ‘usurpou’ a competência do STF para definir os limites do foro por prerrogativa de função, já que estendeu o benefício para um ex-ocupante do cargo de deputado estadual.

    Caminhos 

    A votação da última quinta-feira teve placar de 2 x 1 favorável ao senador. Caso a decisão permaneça de pé, o juiz Flávio Itabaiana Nicolau, da primeira instância, terá que encaminhar os autos do processo para o Órgão Especial, que sorteará um relator.

    De volta ao começo 

    Esse escolhido por sorteio terá o poder de decidir sobre a manutenção ou a anulação das provas obtidas por meio de decisões de Itabaiana. Foi ele quem autorizou todas as medidas cautelares adotadas ao longo do processo, como a prisão de Fabrício Queiroz e as quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de investigados.

    Subindo no telhado

    A posse do ministro da Educação, Carlos Alberto Decotelli, que estava prevista para hoje, terça-feira, foi adiada após a revelação de incongruências no seu currículo acadêmico. A avaliação é de que a situação do novo ministro é complicada e sua imagem ficou “maculada” pelas informações falsas no currículo. Uma eventual demissão estaria em “análise”, afirmam intelocutores.

    Incômodo 

    De acordo com fontes, o clima é de constrangimento entre os militares e apoiadores da nomeação de Decotelli ao MEC. Segundo interlocutores, as incorreções no currículo de Decotelli pegaram “todos de surpresa” gerando uma situação incômoda entre os que capitanearam a ida de Decotelli para o MEC, entre eles o general Alessio Ribeiro Souto, que participa de discussões na educação desde a transição. Nesse momento, o governo faz um “pente fino” no histórico do ministro.

    Queimando na largada

    A análise é de que a situação fragiliza a chegada de Decotelli ao MEC ainda que ele continue à frente da pasta, uma vez que terá sua legitimidade constantemente questionada na atuação com seus pares. Sobretudo na articulação com as universidades públicas.

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