Poronga

    Cruzando os trópicos

    A empresa Manaus Aero Táxi Participações LTDA, com sede em Manaus e com contrato vigente com o governo do Acre desde julho de 2019, recebeu do tesouro estadual até 31 de dezembro de 2019 quase meio milhão de reais (exatos R$ 498,0 mil). Tudo isso num espaço de 5 meses. Quer dizer, uma média mensal de quase R$ 100 mil. Para idéia, o aluguel do jatinho de luxo custa R$ 18 mil reais por hora voada.

    Desculpa esfarrapada

    A justificativa para a exorbitante despesa, segundo argumentam os assessores governamentais, é que o luxuoso jatinho tem sido usado em diversas viagens pelo governador e membros do governo, ou em deslocamentos de terceiros, como casos de socorro emergenciais a doentes.

    Vazio

    O argumento cai por terra quando observado que as companhias aéreas de grande porte (Gol, TAM e Azul) disponibilizam três vôos diários partindo do Acre para os diversos pontos do país, restando provado que a despesa é desnecessária e inconcebível para um estado pobre como o nosso. A época da licitação e diante da repercussão negativa do fato, o governo fez anunciar que cancelaria o certame e abriria mão da luxuosa aeronave.

    Frota

    Para lembrança, o governo do Acre tem frota própria, chegando, inclusive, a anunciar com grande pompa no ano passado o reforço de novas unidades de aeronaves com a doação do Ministério da Justiça e Segurança Pública de mais um helicóptero, que se somou ao que já existia, e um avião que foi doado pela Polícia Rodoviária Federal.

    No hangar

    Sobre o mesmo tema, vale registrar que as três aeronaves pertencentes ao governo do estado que também deveriam ajudar no combate à criminalidade e no resgate de pacientes em condições graves de saúde que estejam em locais de difícil acesso, por problemas de manutenção ou questões documentais, estão sem condições de vôo.

    Retrato

    Um dos helicópteros, o Harpia 1, se envolveu no último dia 18 de janeiro em um acidente com um caminhão baú (pasmem!) e não tem nenhuma previsão de voltar a voar. O outro helicóptero, que foi doado pelo ministro Sérgio Moro, se encontra em manutenção. Segundo Naick Souza, coordenador do Ciopaer - Centro Integrado de Operações Aéreas do Acre - , apesar de já ter começado a manutenção, como se trata de uma revisão de grande porte, não há previsão para que essa aeronave volte a voar.

    Vistos

    Já o avião, objeto de parceria com a Polícia Rodoviária Federal, também não tem condições de sair do solo. “A gente está trabalhando na saída dela e acreditamos que daqui a 10 dias já possamos voltar a voar com a aeronave, pois se trata de uma questão de legislação”, explica Naick.

    Prioridades invertidas

    Enquanto o governa torra quase meio milhão de reais no frete do jatinho junto a empresa amazonense, durante a sessão desta quarta-feira (5), na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), o deputado do PL, Fagner Calegário, usou a tribuna da casa para denunciar o sucateamento de alguns setores da segurança pública do Acre.

    Pré história

    Segundo o parlamentar, a Delegacia de Flagrantes (Defla) está sem internet e, por conta disso, a unidade fica impossibilitada de realizar boletins de ocorrências. De acordo com o deputado, as vítimas que forem à Defla voltam para casa sem registrar queixa-crime por falta de internet.

    poronga 002

    Identificando culpados

    Viraliza nas redes sociais um vídeo do vice governador Wherles Rocha (PSDB) com um duro discurso que ele proferiu na Câmara Federal, em 05/06/2018, período em que cumpria mandato de Deputado Federal, eximindo o governo federal de responsabilidades na implementação de medidas de segurança nacional na fronteira do Acre, um dos vetores da violência no estado.

    Solução

    No citado pronunciamento, Rocha faz eloqüentes ataques ao governo acreano de então, tendo a frente o petista Tião Viana, argumentando que a violência que vivenciava o Acre era de responsabilidade, majoritariamente, do executivo estadual, presente a incompetente gestão do setor, problema que na campanha ele e o então candidato ao governo e hoje governador Gladson Cameli (PP), prometiam resolver tão logo assumissem o posto em caso de vitória, como assim sobreveio.

    Espelho

    Agora, no momento em que os pacatos cidadãos vivem enclausurados em suas casas, atrás de grades e de toda a parafernália que remetam a algum sentimento de segurança, enquanto os faccionados dominam as ruas das cidades do Acre e a bandidagem dita o cotidiano das pessoas, cabe como uma luva as cobranças que o então deputado federal fazia ao governo de Tião Viana.

    Efeito bumerangue

    Tal e qual expressa trecho da música Aroeira, de Geraldo Vandré, apresentada no Festival de Música da Record em 1967, é a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar. Quis o destino que a gestão da segurança pública do Acre nos conturbados dias de hoje ficasse sob a responsabilidade do agora vice governador, fruto de uma questionável atitude de Gladson Cameli (PP) que, fugindo de suas responsabilidades, terceirizou de ‘porteira fechada’ à Rocha o comando da segurança no estado.

    Mais uma vítima

    A propósito da violência, na data de hoje, quarta feira (05) o policial militar Amarildo Carneiro, subtenente aposentado da Polícia Militar, baleado na noite de segunda-feira, dia 03, em Rio Branco, ao chegar em casa, morreu pelo período da manhã. O militar não resistiu à cirurgia que fez no Pronto-Socorro, onde estava internado na UTI, em estado gravíssimo.

    Camuflagem

    Bizarro é que no comunicado do falecimento do policial Amarildo Carneiro da Costa, vítima da violência que campeia em nosso estado, o comandante geral da Polícia Militar, Cel. Ulisses Araújo, fez anotar que o falecimento decorreu de ‘insuficiência renal’, omitindo que o mesmo foi abatido a tiros por bandidos que tomam conta da cidade e do nosso estado.

    Diagnóstico certeiro

    A despeito de guerra vivenciada no Acre, onde a população acaba sendo a maior vítima, o jornalista Fábio Pontes, em postagem no Facebook, foi ao ponto: “Considero esta como a mais grave crise de violência por que passa o Acre nos últimos 4 anos. 1) porque os bandidos estão mais agressivos. Antes a guerra estava restrita a uma matança entre eles na disputa por território; agora, pessoas inocentes estão no fogo-cruzado; 2) há uma completa ausência de Poder diante do caos. O governo está acéfalo, sem comando, ninguém quer assumir a responsabilidade, preferem caçar culpados no passado. Desaparecem do Acre nos momentos mais críticos. A sociedade se sente desamparada”. É isso!

    Image
    Image