Poronga

    A pergunta que não quer calar

    Durante a visita do ministro Sérgio Moro à capital acreana nesta segunda feira (18), o repórter fotográfico Sérgio Vale, bambambam da fotografia na terrinha, capturou em uma das janelas do prédio da Aleac, um cartaz direcionando a Moro, gestor do Ministério da Justiça e Segurança Pública., uma indagação que está na garganta da maioria dos brasileiros: onde está o Queiroz?

    Para entender o caso

    Protagonista do primeiro grande escândalo do governo Jair Bolsonaro – que começou antes mesmo da posse presidencial -, o ex-PM Fabrício Queiroz voa há onze meses em céu de brigadeiro, bem longe dos holofotes que até o fim do primeiro semestre desse ano estavam focados nos 39 quilos de cocaína que o militar da Força Aérea Brasileira (FAB) traficava dentro de um avião da comitiva presidencial, estrelando a mais recentes das inúmeras crises que decolaram após a chegada do capitão da reserva ao poder.

    Ligações perigosas

    Com ligação estreita com a milícia de Rio das Pedras – a mesma relacionada ao assassinato da vereadora Marielle Franco (PSol) e do motorista Anderson Gomes -, o ex-assessor de Flávio Bolsonaro deu as caras pela última vez no dia 26 de dezembro de 2018, na entrevista ensaiada para o SBT, em que “explica” a movimentação milionária detectada em suas contas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) como fruto da compra e venda de carros – os chamados “rolos”, como classificou o próprio Jair Bolsonaro.

    Vai no sapatinho

    O “cara de negócios”, como se definiu na conversa com a jornalista Débora Bergamasco – ex-IstoÉ, autora da famosa capa que chamava Dilma Rousseff de “descontrolada” e “fora de si” em 2016 – só voltou a aparecer mais uma vez depois disso: nas redes sociais em um vídeo em que aparece sambando no que seria seu pré-operatório no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

    Rindo na cara dos otários

    Depois de sambar nas redes, Queiroz parece ter seguido o plano de voo da família Bolsonaro e sumiu do radar da mídia e da Justiça – onde o ex-patrão Flávio briga para anular o processo, contando com a aquiescência do ministro Dias Toffoli, presidente do STJ.

    Chá de sumiço

    Entre tantas crises expostas na cúpula do governo no primeiro semestre, muito já se viu das intenções de Bolsonaro – e até mesmo 39 quilos de cocaína no avião da comitiva presidencial apareceram. Enquanto isso, o antigo braço direito do clã segue à deriva.

    O homem nú

    A propósito do Ministro da Justiça Sérgio Moro, em entrevista concedida ao jornalista Fábio Pannunzio - ex-ancora do Jornal da Band -, o ex-ministro Gustavo Bebianno revela que Sergio Moro tratou de sua ida para o governo Bolsonaro antes do resultado das eleições de 2018 – o que reforça sua suspeição.

    Ação calculada

    Para relembrar, durante o processo eleitoral, Moro vazou trechos da delação de Antonio Palocci para prejudicar a candidatura de Fernando Haddad. Até agora, o ex-juiz sustenta que só tratou da ida para o governo de Jair Bolsonaro após o resultado final.

    O "imparcial"

    Bebianno contou na entrevsta que aliados tiveram um encontro na casa de Bolsonaro no dia do segundo turno. "Paulo Guedes me chama e diz 'quero conversar com um você um negócio importante'. Ele me contou já tinha tido cinco ou seis conversas com Sérgio Moro e que Moro estaria disposto a abandonar a magistratura e aceitar o desafio como ministro da Justiça", disse o ex-ministro.

    Tá explicado!

    Depois de aceitar o convite, Moro foi oficalizado como titular da Justiça e Segurança Pública, que demonstrou claramente a sua intenção de interferir na eleição ao liberar a delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci há uma semana do primeiro turno do pleito presidencial.

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    dnit.jpg

    Fabio Victor
    @fabiopvictor

    O presidente endossa comentário de q ‘quadrilha q assaltava o Dnit há anos foi defenestrada de lá’. Talvez tenha esquecido de q o diretor do Dnit por 4 anos no governo Dilma foi seu atual ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas.

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    Vai vendo!

    O presidente Jair Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais nesta segunda-feira (18) o comentário de um seguidor dizendo que a “quadrilha” que há anos assaltava o Dnit, órgão responsável por gerir vias e terminais, foi “defenestrada de lá”. No entanto, o diretor do Dnit no governo de Dilma Rousseff é o atual ministro da Infraestrutura de Bolsonaro, Tarcísio de Freitas.

    O dom de iludir

    Comentário do seguidor é acompanhado de uma notícia da Folha de S.Paulo deste domingo (17) (foto) que diz que “apesar de postagens de Bolsonaro sobre obras, investimentos em estradas cai”. Numa cena de 'me engana que eu gosto' o segundo um bolsonarista, o governo está fazendo “mais com menos” dinheiro.

    Números

    Segundo a matéria da Folha, entre os meses de janeiro a outubro, o investimento na construção e na recuperação de rodovias atingiu o menor patamar para esse período desde 2014. No entanto, Bolsonaro publica ao menos uma foto de obras em suas redes sociais por semana.

    Amazônia devastada

    Os dados de sistema de satélites que faz o monitoramento anual do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal, o Prodes, a serem divulgados amanhã, devem apontar que a região perdeu, entre agosto de 2018 e julho deste ano, entre 9 mil e 11 mil quilômetros quadrados de mata nativa, no maior número registrado desde 2008.

    Acompanhamento

    "Essa é a projeção que se faz com base nos dados que o Deter revelou para esse mesmo período", disse à Reuters Gilberto Câmara, ex-diretor do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), responsável por monitorar o desmatamento. O mesmo número é estimado também em um estudo publicado no periódico Global Challenge Biology, que analisou as causas e os números da crise das queimadas na Amazônia este ano.

    Irracionalidade

    Usando a comparação entre os dados do Deter —sistema mensal de monitoramento de desmatamento usado pelo Inpe, mais impreciso, mas que gera alertas de onde há suspeita de ação de desmatadores— e a relação tradicional com os números anuais do Prodes, o estudo, liderado por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (MG) e da universidade britânica de Lancaster, apontou para um desmatamento de 10 mil quilômetros quadrados. Se os dados apresentados nesta segunda-feira pelo Inpe confirmarem essas estimativas, o número do desmatamento será o maior desde o período 2007-2008, quando fechou em 12.911 quilômetros quadrados de área desmatada.

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