Poronga

    A dança das cadeiras

    Em entrevista, na manhã desta segunda-feira, 4, na Maternidade de Cruzeiro do Sul, o governador do Acre, Gladson Cameli, falou à imprensa sobre trocas que fará no primeiro escalão de sua gestão.

    Bora, bora, circulando!

    “Não estou criando terrorismo. Vou tirar da secretária a subdiretores. Como eu não tenho papas na língua, digo logo que vai rodar muita gente”, revelou sobre as mudanças que fará na Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre).

    A volta de quem não foi

    Sobre quem assume interinamente, Gladson afirmou que: “Pode ser Alysson Bestene; vou conversar com ele. Ele não quer, mas ele não tem muito querer não”, garantiu.

    A fila anda

    Além das mudanças na Secretaria de Saúde, Gladson revelou a troca de mais um gestor. “Vou trocar hoje o secretário de Agricultura, porque eu quero políticas públicas que atenda ao pequeno”, garantiu.

    Sinecura

    Ainda sobre mudanças - no caso reingresso -, o Diário Oficial desta segunda-feira (4) trouxe o decreto que torna sem efeito a exoneração de Adinã Marcel Schafer, o que significa que ele continuará no staf da Secretaria de Educação conforme decreto de nomeação datado de maio.

    Parentesco

    Adinã Schafer e outros parentes de Tchê, incluindo uma irmã e a esposa, haviam sido exonerados no dia 19 setembro junto com uma leva de outros 370 exonerados, todos parentes ou indicados de deputados que votaram contra projeto que altera a Lei de Diretrizes Orçamentárias. Como diria o falecido ex-deputado Hermelindo Brasileiro, mordomia só não gosta quem nunca usufruiu.

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    Fé inabalável

    Ainda sobre o clima de troca troca, os amigos da Secretaria de Comunicação Silvânia Pinheiro recorreram ao Salmos 91:7-9 - "Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu não serás atingido" - para negar a destituição da jornalista pelo governador Gladson Cameli, face ao Decreto nº 4.567, de 30 de outubro de 2019, que, por detalhes burocráticos, patrocinou o afastamento da assessora “até ulterior deliberação”.

    Respaldo

    O chefe da Casa Civil do Governo do Acre, Ribamar Trindade, disse que a secretaria continua a gozar da mais absoluta confiança do governador Gladson Cameli, além de toda a equipe e que não está afastada do cargo e que o decreto adveio de exigências burocrátias.

    Motivação

    A informação que dava conta da exoneração foi suscitada pelo citado decreto assinado pelo governador, no mês passado, quando ela esteve viajando, o que exigia da executiva de comunicação mais tempo de permanência fora do Acre do que o inicialmente previsto.
    Como a Secom precisa de um titular presente para despachar as demandas do órgão, foi necessário o afastamento da jornalista pelo período que durasse sua ausência.

    Palavra oficial

    “Tudo obedeceu a uma questão jurídica e necessária à agilidade da administração pública”, disse Trindade, ao desmentir, categoricamente, qualquer problema licitatório ou de ordem legal envolvendo a Secom. “Eu diria que este é um dos órgãos mais tranquilos do Governo, dado à competência da secretária, da honestidade e dos compromissos da equipe que ela conseguiu montar”, disse o Chefe da Casa Civil.

    Podres poderes

    O ex secretário-geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, revelou em depoimento à justiça que o então candidato á presidência da República Jair Bolsonaro chancelou em 2018 um acordo para repassar 30% do fundo eleitoral do PSL (cerca de R$ 2,7 milhões) para o diretório do partido em Pernambuco.

    Acordo

    A legenda é presidida em nível nacional pelo deputado federal Luciano Bivar (PE), investigado sob suspeita de ter desviado parte desses recursos por meio de candidaturas femininas de fachada.

    Escambo

    Sobre o fato de o diretório de Pernambuco ter sido beneficiado com as maiores cifras, Bebianno afirmou que houve um acordo político entre Bolsonaro e Bivar no começo do ano passado para que o então pré-candidato ingressasse no PSL.

    Um pra mim, um pra tu, um pra eu

    "Perguntado sobre quem seria o responsável pela definição das contas relativas aos fundos partidário e especial [eleitoral] para cada estado e seu correlato repasse para os candidatos durante o processo eleitoral, [Bebianno] respondeu que na forma do acordo político celebrado entre Jair Bolsonaro, Luciano Bivar, Fernando Francischini [então deputado federal pelo Paraná e aliado de Bolsonaro], Antônio Rueda [braço-direito de Bivar], Eduardo Bolsonaro [filho do presidente] e o declarante, parte relevante do fundo eleitoral, em torno de 30%, seria destinado para o estado de Pernambuco, estado original da fundação do PSL, e que os 70% restantes seriam distribuídos de acordo com o peso eleitoral de cada estado", diz a transcrição de parte de seu depoimento.

    Laranjada

    No caso do esquema de corrupção do PSL, Bivar teria apoiado o repasse de R$ 400 mil em verbas do fundo partidário para uma candidata "laranja" em Pernambuco. Maria de Lourdes Paixão, 68 anos, teria sido a terceira maior beneficiada com verba do PSL em todo o País. O agora ex-ministro Gustavo Bebianno teria autorizado o repasse;

    Pegadas impressas

    Também no estado de Pernambuco, Bebianno liberou R$ 250 mil de verba pública para a campanha de uma ex-assessora, que repassou parte do dinheiro para uma gráfica registrada em endereço de fachada. A gráfica é a mesma usada por Maria de Lourdes.

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