Poronga

    Murano Construções recebeu quase R$ 6 mi do governo; empresa tem quase R$ 30 mi em obra no AC

    Alvo de pedido de investigação pelo deputado Roberto Duarte (MDB), a Murano Construções está indo muito bem na administração Gladson Cameli.

    Veja os pagamentos feitos às empresas:

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    Importada do Distrito Federal para papar a maioria das obras do Estado, a empresa, segundo levantamento feito pelo Portal do Rosas no Portal da Transparência, recebeu, até agora, mais R$ 5,4 milhões.

    Segundo históricos bastante genéricos nas justificativas de pagamentos, a Murano fez obras de engenharia inerentes à manutenção predial preventiva e corretiva em bens imóveis.

    Se tiverem interesse, os órgãos de controle poderiam investigar a realização dos serviços, a fim de salvaguardar o erário.

    A Murano chegou ao Acre por meio da adesão das secretarias de Infraestrutura e de Segurança Pública de uma ata da empresa no Instituto Federal de Ceres, em Goiás.

    A empresa ganhou lotes que, somados, atingem o montante superior a R$ 56 milhões.

    Desse valor, o governo do Acre aderiu mais de R$ 26 milhões, deixando de fazer licitação e limitando a concorrência das empresas locais.

    A possibilidade de ter havido uso indevido da ata foi, em primeira mão, levantada pelo Portal do Rosas quando a empresa MSM Industrial Ltda executou as obras da rodovia AC-40 sem o devido processo licitatório.

    Coincidentemente, a MSM. também recebeu R$ 3,9 milhões. Os pagamentos de maiores valores foram feitos após o empresário Jarbas Soster ter ido à imprensa criticar o secretário de Infraestrutura, Thiago Caetano.

    Gladson Cameli deveria explicar onde a crise da Previdência estadual teve início

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    Sempre que está em dificuldade para se explicar sobre o descontrole das contas públicas, Gladson Cameli recorre ao passado para dizer que herdou um Estado falido.

    O governador está acima do limite imposto pela Lei de Responsabilidade Fiscal com gastos de pessoal, terá que adotar medidas duras e prepara o terreno para minimizar o desgaste.

    Mas, quando investe no discurso caótico, ele briga com a verdade. Dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) desmentem o discurso do governador.

    O último relatório da STN classifica o Acre com a nota B, o que atesta a plena saúde financeira estatal.

    É justamente essa Saúde que está permitindo a Cameli pleitear aquilo que ele e os seus aliados mais criticavam: os empréstimos.

    Antes de ser exonerado, o ex-secretário de Planejamento Raphael Bastos confirmou que Gladson Cameli herdou R$ 1,3 bilhão do governo Tião Viana para investir.

    O último relatório publicado pela Secretaria de Estado da Fazenda também aponta que há margem suficiente para a contratação de novas operações de crédito.

    Em texto muito mal escrito por sua assessoria de Comunicação, o governador fez publicar na imprensa que herdou dívida de R$ 3,8 bilhões.

    Não foi ele quem herdou. Isso é algo do Estado, inclusive constam débitos do falido Banco do Estado do Acre, o Banacre.

    Gladson Cameli seria mais honesto se falasse sobre o verdadeiro e maior problema do Estado do Acre e a maioria dos estados brasileiro: a Previdência.

    Ainda na transição, ele foi informado que esse seria o seu calcanhar de Aquiles. E a origem do rombo previdenciário está longe dos governos da Frente Popular.

    Na metade do governo Orleir Cameli, o Fundo Previdenciário foi extinto. O discurso é que o dinheiro seria investido na construção de casas populares, o que não aconteceu.

    O dinheiro do Fundo Previdenciário, corrigido, hoje estaria em torno de R$ 1,5 bilhão. Não resolveria, mas daria um fôlego.

    A verdadeira bomba relógio armada no fim da década de 1990 estourou a partir de 2015, quando os servidores tiveram que se aposentar.

    Sem fundo suficiente, o governo tem sido obrigado a retirar recursos do tesouro para pagar aposentadorias, o que inviabiliza os investimentos. Por isso, Cameli quer outro empréstimo.

    O governo receberá cerca de R$ 400 milhões dos recursos da chamada cessão onerosa do pré-sal. Boa parte será para a Previdência, mas pouco resolverá se não vir a reforma da previdência estadual.

    Cameli esquece que existe o Google para as pessoas pesquisarem e comprovarem as suas contradições.

    *Jornalista

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