Política

    Novo partido é jogada de alto risco para Bolsonaro

    Jair Bolsonaro — que, num gesto inédito para um presidente da República, deixou formalmente nesta terça o PSL — vai precisar de uma senhora ajuda do Tribunal Superior Eleitoral para viabilizar seu novo partido, a Aliança pelo Brasil, antes das eleições do ano que vem.

    É grande o risco de dar com os burros n’água, segundo opinião de dez entre dez políticos experientes.

    Dois precedentes importantes da história recente apontam em sentidos contrários. Marina Silva, por exemplo, fracassou na tentativa de formalizar a Rede Sustentabilidade e fim de concorrer nas eleições de 2014. Acabou vice na chapa de Eduardo Campos pelo PSB e, com sua morte, candidata a presidente. Mas demorou para viabilizar a Rede.

    Já Gilberto Kassab obteve, em 2011, as boas graças da Justiça Eleitoral e criou seu PSD em tempo recorde, participando das eleições de 2012. Foi uma proeza, e para sua realização certamente terá pesado o fato de Kassab, na época, ser aliado ao mesmo tempo da presidente da República, Dilma Rousseff, e do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

    Não se deve subestimar a capacidade de um presidente da República, com a máquina, a caneta e o Diário Oficial nas mãos, de criar um partido. Mas Jair Bolsonaro não é um presidente como outros, sobretudo no quesito articulação política.

    Coincidência ou não, na mesma terça-feira em que Bolsonaro assinou sua carta de desfiliação do PSL, o sub-procurador geral eleitoral, Humberto Jacques, enviou parecer ao TSE contrário à coleta das assinaturas necessárias por via digital. O parecer do procurador não é a decisão final do Tribunal, mas acendeu um sinal de alerta entre bolsonaristas, que pretendem usar a estratégia digital para reunir as 500 mil assinaturas até março.

    Do ponto de vista político, a decisão de Bolsonaro de criar mesmo um novo partido também tem alto risco. Enquanto a Aliança não tiver sua criação confirmada, não poderá abrigar deputados que vão sair com o presidente do PSL, pois eles correm o risco de perder seus mandatos. Até essa formalização, vão viver numa espécie de limbo político, com um pé no partido antigo e outro no novo.

    O que fará Eduardo Bolsonaro, hoje líder do PSL na Câmara? Provavelmente deixará a função. Ele e seus aliados arriscam-se a perder as indicações para os postos que ocupam hoje em comissões e relatorias, até por represália de Luciano Bivar, confirmado também nesta terça na presidência do PSL.
    O primeiro grande prejuízo político da nova empreitada partidária da família Bolsonaro poderá ser a perda das vagas que seus aliados ocupam hoje na CPMI das FakeNews, aquela criada para investigar o esquema digital montado pelo hoje presidente nas eleições de 2018.

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