O furo da capa

Por Maze Oliver (*)

Sabe quando chega à nossa casa aquele vendedor insistente, que parece que está à perigo (desesperado!)  e precisa vender seu produto, custe o que custar? E para seu azar, você tem aqueles dois minutos de fraqueza, compra e se arrepende depois? Vou te contar!

Comprei uma capa de sofá lindíssima, o preço? Os olhos da cara!  Para logo em seguida pensar: Onde estava eu com a cabeça?  Ou onde estava minha cabeça?  Ficara doida?!  Logo agora…  que precisava economizar para comprar meu carro novo! Sonho antigo que estava prestes a se realizar!

Mas logo tive uma ideia fantástica! (HIC…)  Vou devolver!

Mas como iria dizer isso para o rapaz, meu amigo, tão simpático! Que sempre fora tão bacana comigo! Tá certo que ele insistiu muito, mas quem comprou fui eu, em completa lucidez.

É que já havia comprado outras coisas com ele. Sabe, ele é do tipo que não te cobra, deixa a teu critério o pagamento! Isso só piorava as coisas.

E como mágica, nesse momento a capa transformou-se: ficou feia, feia é pouco, ficou horrenda! Porque não dizer ridícula! Nem combinava com a cor da minha sala! Nem tampouco com meu tapete! Como é que não vi isso antes? Aquele camarada me hipnotizou. Tinha que arranjar uma forma de devolver esta droga de capa!

É… O ser humano é assim mesmo…  Logo racionaliza, num processo de ajustamento explicado pela psicologia para justificar seu comportamento.

Tenho que resolver este problema! Tirei-a do plástico de proteção, resolvi experimenta-la no sofá. Quem sabe ficaria pequena ou grande demais, pensei. Estaria então resolvido meu problema!

Engano meu, ficou ótima!

Chamei minha filha e pedi ajuda. Foi então que ela disse num tom de espanto!

— Mãe esta capa está furada! Olha só!

Dei um largo sorriso e perguntei:

— Onde?

Liguei para ele na mesma hora, enquanto estava com coragem! Em algumas horas ele estava na minha casa. É claro que eu já tinha uma razão e quando se tem uma razão, se fala firme com segurança, então eu disse:

— Meu amigo, chamei-te aqui para devolver a capa, não é que ela tem um furo! E ele:

— É mesmo?!  E o pior que só tinha essa! Olha Maze, me desculpa, não sabia! Mas onde é o tal furo? É que nesse caso, tenho que devolver para a fábrica sabe? Para não ficar no preju… — Para quem não sabe, ele quis dizer prejuízo!

Comecei a procurar o furo da capa. Meu problema estava resolvido. Pensei: Tão fácil e eu me descabelando toda. Porém, não achei furo nenhum. Revirei novamente e novamente, nada! O vendedor me olhava atônito. Eu já via um sorrisinho maroto em seu rosto e até podia ler no semblante irônico. “Essa dona está me fazendo de besta!”

Eu que sempre fui muito honesta, já fui logo me desculpando:

— Mas estava aqui, eu vi! Juro!

E ele pra me sacanear:

— Não estou vendo furo nenhum!

Pedi socorro. Chamei minha filha. Vistoriou todo o tecido. Olhou pelo avesso e também não achou nada!

— Não é possível, estava aqui, nós vimos! Disse ela.

O vendedor estava de braços cruzados e olhava bem no fundo dos nossos olhos. Aquilo me aborreceu profundamente. Poxa, eu estava falando a verdade. Eu o vi! O furo estava ali, em algum lugar! Naquele momento, perdi as estribeiras e disse:

Olha meu amigo, com furo ou sem furo você vai levar esta capa de volta, porque eu não a quero mais!

E ele, para minha surpresa:

— Tá bom, porque não disse logo! Mês que vem volto aqui, pra mostrar mais novidades.

Depois dessa, ao ouvir a voz de um vendedor na minha campainha vou dizer: A Maze?!  Não está. Viajou! Só volta ano que vem! kkk!…

O pior foi aguentar meus filhos contando isso para a família inteira! Foi a maior gozação!

(*) Maze Oliver – Escritora do Acre, residente em Rio Branco, membro da Sociedade Literária Acreana, escrevendo em seu blog umpensamentovirtual.blogspot.com

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