Na política ou na bravata? A estratégia do governo para a Previdência

Com proposta paralela do Congresso em gestação, governo deve mostrar nos próximos dias sua disposição de negociar o texto oficial

A semana vai mostrar qual a disposição do governo de ir além de bravatas e textões no Facebook na relação com o Congresso. Na sexta-feira, mesmo dia em que o presidente Jair Bolsonaro repassou um texto em que reconhecia sua incapacidade de jogar o jogo democrático com o parlamento, foi revelado que a Câmara costura um novo projeto para a reforma da Previdência.

A contraproposta tem a anuência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e foi motivada pelo desgaste entre o Congresso e o Executivo. O texto divulgado por Bolsonaro acentua ainda mais a cisão, com o Planalto afirmando que não vê como avançar sua agenda tendo que negociar com o Parlamento.

Nesta semana a proposta alternativa pode de fato sair do papel. Seria um recado da Câmara de que a agenda econômica pode avançar a despeito da inépcia presidencial. No fim de semana, reportagem de capa da revista VEJA mostrou o tsunami de notícias ruins que faz Bolsonaro chegar a seu quinto mês de governo em seu pior momento. A prévia do PIB mostrou uma retração de 0,68% na economia no primeiro trimestre. E o novo dado de projeção do PIB para 2019, tradicionalmente divulgado nas segundas-feiras pelo Banco Central, mostrou hoje novo rebaixamento (de  de 1,45% para 1,24%)  — foi o décimo segundo seguido.

Segundo o Estadão, os deputados da Comissão Especial que discute a Previdência calculam que se conseguirem atrair PSB e PDT o texto substitutivo já teria quórum para aprovação em plenário. Uma dúvida que pode ser respondida nos próximos dias é o conteúdo do novo texto. Deputados já haviam apresentado 15 emendas à reforma do ministro Paulo Guedes. Entre as demandas estão a inclusão de um regime específico para a aposentadoria dos policiais e para guardas municipais. Também há propostas de amolecer as regras de transição.

Enquanto isso, a equipe econômica, capitaneada por Guedes, se reúne hoje para tratar da Previdência do governo. Em encontro neste domingo, com a presença de Maia, o relator da proposta, Samuel Moreira (PSDB-SP), afirmou que a expectativa é que o relatório final seja apresentado em 15 dias.

Mesmo que não vá adiante, a proposta alternativa corre o risco de esvaziar o texto oficial, aumentando o poder de barganha da Câmara. Neste cenário, há grande expectativa para saber se o governo reagirá fazendo boa política, ou falando grosso nas redes sociais. Falta uma semana, não custa lembrar, para as manifestações a favor do governo, convocadas para o próximo domingo por aliados do presidente.

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