Polícia

    Homem que jogou água fervendo em partes íntimas de ex-mulher pega mais de 10 anos de prisão no AC

    A Justiça do Acre condenou a dez anos e oito meses de prisão, em regime inicial fechado, Jessé Saldanha

    Nogueira por ter jogado água fervendo nas partes íntimas da ex-mulher. A cuidadora de idosos Agerlândia Miranda teve queimaduras de terceiro grau também nas pernas.

    Nogueira foi condenado pela Vara Criminal da Comarca de Sena Madureira, no interior do Acre, nesta segunda-feira (15). A sentença cabe recurso.

    A agressão teria sido motivada por ciúmes. O caso aconteceu no dia 12 de fevereiro durante uma briga do casal. No dia 24 de fevereiro, a Polícia Civil do Acre pediu a prisão preventiva de Nogueira após um laudo apontar que a vítima sofreu lesões graves

    Lesão gravíssima

    O Ministério Público do Acre (MP-AC) denunciou o suspeito por lesão gravíssima. A denúncia, assinada pela promotora Juliana Barbosa Hoff, da Promotoria de Justiça Criminal, pronuncia Nogueira por lesão gravíssima devido à “deformidade permanente”.

    Na decisão, a Justiça destaca que levou em consideração essas deformidades que ficaram no corpo de Agerlândia. Ainda segundo a publicação, testemunhas confirmaram que o relacionamento do casal era conturbado.

    suspeito webJessé Nogueira vai cumprir sentença em regime inicial fechado — Foto: Arquivo pessoalSentença

    O acusado foi condenado por lesão corporal com deformidade com aumento de pena por se tratar de violência doméstica.

    O advogado de Nogueira, Márcio Vasconcelos, explicou que vai recorrer da sentença porque considera que a pena deveria ser de dois a oito anos de prisão.

    “Com certeza vou recorrer até porque meu cliente tem bons antecedentes e não é reincidente. Além disso, entrei com um habeas corpus desde o dia primeiro por excesso de prazo porque tinha mais de 60 dias que o juiz não julgava. Tinha no máximo dez dias para julgar”, confirmou.

    Vasconcelos disse que não sabia da condenação e estava no aguardo do resultado do pedido de liberdade.

    “A liminar foi negada e o habeas corpus está pendente até agora. Ser condenado tudo bem, agora a pena não pode ser exacerbada, está muito alta” , acrescentou.

    Constrangimento

    Em entrevista ao G1 no mês de maio, Agerlândia falou que tentava seguir a vida após as agressões. Ela contou que tinha voltado a trabalhar e estava se dedicando às filhas, mas em alguns momentos se sentia constrangida e com vergonha por causa das marcas que ficaram nas pernas.

    “Tenho vergonha de usar uma roupa um pouco mais curta porque as pessoas ficam me olhando e muitas pessoas falam besteira. Não me sinto bem com isso”, lamentou na época.

    A cuidadora explicou que não existia previsão para ser atendida por um cirurgião plástico, já que a consulta marcada assim que saiu do hospital não aconteceu.

    “Tudo mudou, porque vou carregar esse trauma pro resto da minha vida. Sempre quando falo desse assunto não me sinto bem. Até mesmo quando teve a audiência não me sentia bem em lembrar tudo que aconteceu”, relembrou.

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