Crônicas de domingo

    Antes Brachula, depois Lhé, agora estrela

    Um bom homem, de abundante simplicidade, com singular alegria e de boas causas na sua caminhada. Suas direções e ações eram para o bem. Alguém ou muitos, só importava dar a mão. Tinha paixão interessada apenas em atingir algo como a igualdade, como a dignidade, algo como um bem-estar de paz e amor. E nisso, sem enfeites, é possível encontrar o melhor significado de política, O melhor proceder nas relações humanas. O melhor para deixar, quando se vai para o imponderável estelar. A imagem desse guerreiro é a de um menino lançando flores. A mensagem é a da ética, sem rancores. 

    Sorriso sempre doce, gestos sempre carinhosos, abraço sempre afetuoso. E nisso, a mensagem dada por quem não tem voz, o recado por quem está sofrido, o interesse por quem está perdido. O Lhé não deve ser esquecido. Foi sem deixar vastos bens materiais, mas adiantou-se muito desse conceito, penitenciando por coisas imateriais. Lhé dos seringais e das esquinas. Brachula das festas e da Palestina. A imagem é a de um guerreiro lançando serpentina, para alegrar algumas lutas desiguais. A mensagem é a de doação cristalina.

    O melhor que vai ficar é incalculável. Vai ser possível sentir, muitas vezes, no ato de passear pela cidade, onde suas imagens estarão visíveis aos bons olhos e aos sensíveis corações. Aquele cara que lutava pelos mais fracos, que punia pelos desfavorecidos, que se interessava pelos perdidos. O nome dele era Abrahim Farhat. Mas ficou conhecido por Lhé. Era assim que ele chamava os tantos com quem conversava. Ou ensinava. Podia ser um truque carinhoso para saudar alguém cujo nome estava esquecido. Um truque afetuoso como os olhos de além que ele botava em nós. Olhos com mensagem do bem. 

    O melhor para não esquecer é tudo que ficou para incorporar. O Brachula da beira do rio está onde sempre esteve, do lado de lá da margem. Brilha como luz de guia. O Lhé tem muito para nos alegrar, mesmo estando além de cá. Cada passo que podemos dar no varadouro que ele semeou, pode significar o nascedouro de um novo um novo dia. Algo digno e possível para navegar e desbravar. O Lhé deixou uma bandeira significativa para desfraldar e para agitar na nossa marcha de união. Novos ventos para mover nossos moinhos. Vai ser possível sentir e agir no passo deixado pelo nosso semeador de sonhos. Alguma magia para nossos momentos enfadonhos ou sem prumo. Sintonia para a emo& ccedil;& atilde;o. Espreitando de onde nos alumia, a estrela dele bondosamente vai se renovar. 

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