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    Médicos de rede de hospitais particulares de SP são cedidos para o Hospital das Clínicas

    A ajuda virá da Rede D’Or de hospitais, que anunciou a transferência de 15 médicos intensivistas da empresa para o trabalho no HC, que é o maior complexo hospitalar para vítimas do coronavírus em São Paulo, com 900 leitos

    Com quase 100% de ocupação nas UTIs, o Hospital das Clínicas de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (24) que vai inaugurar novos leitos na próxima semana e contar com a ajuda de 15 médicos de rede particular até o fim do período de pandemia.

    A ajuda externa virá da Rede D’Or de hospitais, que anunciou a transferência de 15 médicos intensivistas da empresa para o trabalho no HC, que é o maior complexo hospitalar para vítimas da Covid-19 em São Paulo, com 900 leitos para a doença.

    “O HC é um hospital fantástico, mas num momento como esse, a parte mais difícil é a de pessoal. Então, nós vamos ceder mais ou menos 15 profissionais de UTI, mais os profissionais que vão atuar nos leitos normais”, afirmou o diretor-geral da Rede D’Or, o médico oncologista Paulo Hoff.

    De acordo com a diretora clínica do Hospital das Clínicas, Eloísa Bonfá, a entidade tem buscado parcerias e soluções criativas para tentar ampliar a capacidade de atendimento do hospital.

    “Para montar novos leitos, estamos aceitando tudo. Mas o que nós precisamos muito é ajuda com recursos humanos, porque o restante a população e as empresas estão ajudando a buscar. Ventiladores, que é coisa que falta muito, monitor, nós estamos conseguindo através de doações. As pessoas estão se movimentando, a Poli-USP está construindo ventiladores. Mas recursos humanos, que é a coisa mais preciosa, nós precisamos de ajuda pra trazer pra cá”, afirma.

    Lotação dos leitos de UTI

    O complexo do HC conta com 900 leitos para tratamento exclusivo de pacientes como a Covid-19. Cerca de 200 leitos são de UTI e ao menos 181 deles estão ocupados com pacientes internados em estado grave de saúde.

    “São pacientes muito graves, muito graves mesmo. As pessoas ficando em casa nos permite que o sistema não colapse. Quando falamos que estamos chegando próximo de 200 leitos, significa que precisamos de tempo para montar mais 100 leitos. Se as pessoas começarem a sair de casa e todos ficarem doentes ao mesmo tempo, dificilmente nós vamos conseguir dar assistência necessária para todo mundo”, diz Eloísa Bonfá.

    A ajuda do Rede D’Or é uma parceria com a Fundação Bradesco e diz respeito apenas a médicos intensivistas. O HC corre contra o tempo para tentar contratar também enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas, que formam uma equipe completa de atendimento de UTI.

    “Temos certo a equipe médica. A perspectiva é conseguir montar essa equipe em uma semana ou pouco menos, com o restante dos profissionais que nós precisamos. Estamos buscando formas de conseguir isso através de inúmeros concursos de técnicos e enfermagem. A gente fechando bloco de equipes, já consegue abrir novo lote de 10 UTIs. A tentativa é chegar a pelo menos 300 leitos de UTI”, afirma.

    Apesar da corrida contra o tempo, o Hospital das Clínicas comemora o trabalho que está sendo feito pelos profissionais que já estão atuando no Instituto Central, ajudando pacientes infectados pelo coronavírus.

    “Nós temos 35% de alta dos nossos pacientes e estamos com mortalidade em torno de 7%, que é uma coisa fantástica para tantos pacientes gravíssimos. Para que a gente possa assistir mais pessoas, todos precisam entender que esses heróis estão aqui arriscando a vida, e que os demais precisam ficar em casa pra gente conseguir ter ainda mais bons resultados”, afirma Bonfá.

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