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Perpétua Almeida cobra providências do Congresso contra a destruição da Amazônia

“Até quando vamos assistir a morte da Amazônia de braços cruzados?”.

De autoria da deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC), a pergunta ecoou forte e em bom som pelo plenário e demais dependência da Câmara dos Deputados quando a parlamentar acreana subiu a tribuna para indagar à casa do povo o que ela, de fato, vem fazendo para resolver o maior problema atual do Brasil: a devastação, pelas queimadas e desmatamentos crescentes, da maior floresta tropical do mundo, essencial ao equilíbrio climático do Brasil e do resto do planeta.

Incentivados desde janeiro pela sanha destrutiva do presidente miliciano Jair Bolsonaro, que tem dito e mandado seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, condenado pela Justiça de São Paulo por crime ambiental contra o rio Tietê, propagar pelo Brasil afora que a Amazônia só presta virando gigantescos campos de soja e de gado e imensos lagos de excrementos de mineração, o desmatamento e as queimadas foram considerados pela deputada acreana como verdadeiros atos criminosos.

Para a deputada do PCdoB, uma das possíveis causas dos aumentos contínuos do desmatamento e das queimadas é o incentivo que sai das falas do presidente Jair Bolsonaro. “Bolsonaro nunca se conformou com a multa que o Ibama lhe aplicou pela prática de crime ambiental. Então, tudo o que ele puder fazer para acabar com o órgão, ele vai fazer. Bolsonaro abre a porteira da degradação ambiental na Amazônia, quando incentiva mineração em terras indígenas e dá sinais de que quer extinguir algumas reservas ambientais”, disparou Perpétua.

Segundo a parlamentar, que no primeiro semestre da legislatura fez mais discursos no plenário da Câmara do que todos os outros sete parlamentares da bancada acreana juntos, segundo dados do Portal de Transparência da casa, o presidente Bolsonaro não dá a menor importância para as questões ambientais e está levando o Brasil a uma completa desmoralização, abrindo espaço para os oportunistas e irresponsáveis que defendem a internacionalização da Amazônia brasileira.

“Agora, ele (Bolsonaro) também detona o Fundo Amazônia, que sobrevivia com as contribuições da Alemanha e Noruega, sustentando parte das ações do Ibama e dos projetos de uso sustentável da floresta. Perder o apoio dos que mais contribuem significa perder quase 300 milhões de reais em investimentos em projetos ambientais. Significa que populações mais pobres podem ficar desassistidas”, completou a deputada acreana.

“É preciso agir rapidamente para que os prejuízos sejam deduzidos”, disse Perpétua Almeida, ao defender as populações tradicionais da Amazônia, que são, segundo ela, as que sofrem mais de perto as consequências do desmatamento e das queimadas, perdendo as terras para as multas, enquanto os grandes devastadores, aqueles que desmatam ilegalmente, são amparados por advogados e não pagam multa alguma.

Segundo dados revelados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o desmatamento explodiu nos últimos dois meses na Amazônia, com aumentos da ordem de 88% em junho e de 278% em julho passados em relação aos mesmos meses do ano passado. As queimadas, por sua vez, cresceram 70% até o dia 18 de agosto deste ano em comparação com o mesmo período de 2018, com o país registrando 66,9 mil pontos, de acordo com a medição do Programa Queimadas, do Inpe (ver AQUI).

Da tribuna da Câmara, a deputada Perpétua Almeida seguiu em frente e disse que as leis precisam ser cumpridas como o Código Florestal propõe e se faz necessário aliar sustentabilidade com desenvolvimento. “A Amazônia está ardendo, está em chamas, e a fumaça se deslocou para outros estados. O avanço da fumaça com as queimadas ilegais mostrou que não são só os moradores do Norte, que sofrem com o desmatamento, mas todo o país será vítima da destruição de anos de conquistas que são nossas leis ambientais”, frisou. 

Perpétua Almeida concluiu seu discurso histórico dizendo ser essencial uma proposta de desenvolvimento, de cidadania e de geração de renda por meio do uso sustentável da floresta. “A Amazônia peruana é do Peru, a Amazônia boliviana é da Bolívia, e a Amazônia brasileira é dos brasileiros! O Brasil precisa provar aos brasileiros que pode, sabe e quer cuidar da sua Amazônia”, finalizou a parlamentar.


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