Economia

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DESENROLANDO: Saque do FGTS confirmado, e agora?

Se você teve ou tem emprego com carteira assinada, com certeza está acompanhando o noticiário no que diz respeito à liberação de saque de recursos dos trabalhadores do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

A exemplo do que fez o ex-presidente Michel Temer em 2017, quando 25,9 milhões de trabalhadores fizeram o saque de cerca de R$ 44 bilhões de contas inativas do FGTS, o atual presidente Jair Bolsonaro e equipe devem anunciar nesta semana quais serão as regras para que os trabalhadores tenham acesso aos recursos.

Entre os principais pontos a serem esclarecidos, está a dúvida se os recursos serão liberados de contas ativas ou inativas, além do valor total disponibilizado. A expectativa é de que sejam liberados cerca de 20 bilhões de reais, o que representa aproximadamente metade dos valores liberados pela gestão anterior.

O objetivo da medida, segundo o governo, é estimular o consumo e consequentemente fazer “girar a roda” da economia do país que está em queda, afinal, com maior poder de compra, os trabalhadores devem comprar mais, estimulando os demais setores.

Apesar de a medida ainda ser alvo de críticas por alguns segmentos, especialmente o da construção civil (já que o Fundo, operado pela Caixa Econômica Federal é utilizado para financiar programas como o Minha Casa, Minha Vida que impulsionam a construção), é certo que, para o trabalhador, a medida deve ser positiva pois trará ao cidadão o poder de decidir o destino dos recursos, ainda que sejam recursos baixos.

Embora seja impossível afirmar como cada trabalhador ou família irá utilizar os recursos, é natural que boa parte dos cidadãos utilize para quitar dívidas. O maior indicador dessa decisão está na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada em julho deste ano.

Os dados revelam que em junho, aumentou pelo sexto mês consecutivo o percentual de famílias brasileiras endividadas, alcançando o maior grau de endividamento desde julho de 2013. Ainda conforme a pesquisa, o endividamento cresceu 0,6 ponto percentual em relação a maio, e na comparação anual — com junho de 2018 —, o aumento foi de 5,4 pontos percentuais.

A proporção das famílias que se declararam muito endividadas aumentou entre os meses de maio e junho – de 12,9% para 13,0% das famílias. Já na comparação anual, houve estabilidade. Também aumentou a parcela das famílias mais ou menos endividadas, de 22,4% para 23,1%, mas o destaque é para o aumento entre os que se declararam pouco endividados, de 23,2% para 27,6% das famílias.

De todo modo, se confirmada, a medida deve trazer efeitos de curto prazo, por isso, é importante que aqueles que tenham acesso aos saques sejam bastante inteligentes na escolha do destino desses recursos. Mas antes de sacar o dinheiro e ir por aí “Curtindo a Vida Adoidado”, é importante colocar a cabeça no lugar e analisar com calma o que pode ser feito. É muito difícil que haja um tipo de investimento que renda mais do que os juros que se paga por uma dívida, principalmente se ela for de algum banco como empréstimos, por exemplo, logo, quitar dívidas provavelmente deve ser uma tendência natural.

Se você já acompanha nossa coluna desde o início, sabe que a poupança, embora renda mais do que o FGTS (3% + taxa referencial), não é a melhor opção para você investir, pois há outros ativos com melhor rendimento, como o próprio Tesouro Direto ou Fundos Imobiliários, entre outros.

Agora me conta, se você for afetado por essa medida, o que pretende fazer com o dinheiro? Espero sua resposta lá no instagram (@agnescavalcante) pra gente debater. Ótima semana e até a próxima!


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