Amazônia

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Imprensa internacional aumenta pressão contra produtos devastadores da Amazônia

Após a The Economist, revista britânica de maior influência econômica no mundo, pregar na semana passada o boicote global à soja e aos produtos originários da pecuária que desmatam a Amazônia, esta semana foi a vez da France Press,

uma das maiores agências internacionais de notícias, afirmar que o modelo agrícola brasileiro voltado à exportação devasta a maior floresta tropical do planeta e afeta o clima mundial.

Segundo a France Press, que teve sua matéria republicada no Portal G1, da Globo.com, o aumento crescente das exportações agrícolas para a Europa suscita temores de um novo avanço da fronteira agrícola no Brasil em detrimento da floresta amazônica e de outros ecossistemas ameaçados. Baseado em dados de matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, o site Expresso Amazônia publicou matéria mostrando que, em pé, a floresta amazônica rende 35 vezes mais do que a pecuária e 3,5 vezes mais do que a soja.

A Agência France Press assinala que no Brasil, presidido por Jair Bolsonaro, cético do aquecimento global e defensor do agronegócio, monoculturas como a soja e a pecuária são as mais frequentemente encorajadas, em detrimento das pequenas produções familiares de médio impacto ao meio ambiente. “Este avanço, que ocorre devido a um modelo voltado à exportação, se dá ao custo de desmatamento na Amazônia e no Cerrado, com cada vez mais conflitos com as comunidades tradicionais e tribos indígenas, que têm seus territórios subtraídos, e também consequências para o clima, alertam especialistas”, assinala a agência.

De acordo com a agência francesa, o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), que ainda deve ser ratificado pelos Estados-membros nos dois lados do Atlântico, poderá estimular ainda mais essas exportações. “O texto prevê que os europeus se comprometam a não importar soja ou carne bovina proveniente de terras desmatadas, mas sua aplicação permanece confusa”, ressalta a agência.

A publicação francesa assinala, ainda, que o setor agropecuário foi responsável, sozinho, por dois terços (71%) das emissões de CO2 (gás carbônico) no Brasil em 2017 sobre um total de 2,07 bilhões de metros cúbicos, que tornam o país o sétimo maior emissor do mundo, segundo as últimas estimativas do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).

Implantado pela ONG Observatório do Clima, o SEEG leva em conta as emissões diretas, sobretudo as ligadas às emissões de metano de bovinos, mas sobretudo as indiretas, relacionadas ao desmatamento, incluindo as queimadas. “Pelo menos 46% das emissões brasileiras estimadas pelo SEEG provêm de ‘mudanças no uso do solo’. Isso significa imensas superfícies de floresta amazônica ou de Cerrado transformadas em terras agrícolas”, assinala a agência.

A matéria da France Press também ressalta que a maioria das terras agrícolas na Amazônia é utilizada em um primeiro momento como pastagem para a pecuária, antes de ser transformada em campos de cultivo de soja, da qual o Brasil é o maior exportador mundial, assim como de carne bovina. “A carne bovina brasileira tem muito impacto ambiental. É muito pouco produtiva, com apenas 0,7 ou 0,8 cabeça de gado, em média, por hectare”, critica Gerd Angelkorte, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Segundo o pesquisador, o impacto ambiental na Amazônia está fortemente ligado à grilagem (apropriação ilegal) de terra, sobretudo no Norte do Brasil, na região amazônica, onde o desmatamento precede a criação de gado bovino. O pesquisador da UFRJ considera que o governo brasileiro deveria ser mais firme para evitar a grilagem. “Mas o governo Bolsonaro parece pouco inclinado a fazer a situação avançar”, assinala Angelkorte.

*Editor do site www.expressoamazonia.com.br.


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