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Pés no chão e futebol raiz: presídio feminino no Acre tem primeiro torneio de futebol

A abertura não teve música personalizada como a da Liga dos Campeões

da Europa. As chuteiras de marcas famosas não se destacam, muito menos estão presentes chuteiras nas partidas. É o futebol raiz na mais pura essência, descalço, pés no chão. O campo é acanhado, sem torcida, mas isso não diminui a importância do evento para quem está dentro das quatro linhas na unidade penitenciária feminina do presídio Francisco de Oliveira Conde, em Rio Branco, capital do Acre, que pela primeira vez sedia um torneio de futebol paras as mulheres que cumprem pena no local.

A competição, que reúne mais de 50 mulheres das 250 que pagam por crimes que que cometeram quando estavam em liberdade, teve a primeira rodada disputada na última quinta-feira (20). A iniciativa de desenvolver o torneio é do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (Iapen), que vê na realização uma forma de diminuir a tensão no ambiente prisional e dar uma alternativa de entretenimento às reeducandas.

– É uma medida pra proporcionar momentos de lazer e esporte para as presas. Também momentos de descontração, uma vez que os presídios culturalmente são locais muito tensos, e até interação entre elas, já que muitas delas compõem, inclusive, organizações criminosas rivais. É um momento de convivência mútua e respeitosa – diz o presidente do Iapen, Lucas Gomes.

A unidade prisional feminina é formada por dois pavilhões: Carmélia e Alamanda. Cada pavilhão tem três times no torneio: A1, A2 e A3 formam um grupo, enquanto C1, C2 e C3 formam outra chave. Conforme o regulamento, os grupos jogam entre si na primeira fase. Primeiros e segundos colocados de cada grupo se classificam para as semifinais e disputam vaga na decisão.

– A receptividade é muito boa. Elas estão muito satisfeitas e motivadas, tendo em vista ser um meio de ter uma atividade física dentro da unidade já que elas têm a questão da disciplina dura. Então, nada mais justo, se não está tendo nenhum problema com relação à disciplina, elas estão colaborando, a gente propiciar a elas esse tipo de situação – afirma o diretor do presídio feminino, Marcelo Lopes.

Na primeira rodada os times do pavilhão Carmélia venceram todos os jogos contra os do Alamanda. As partidas serão realizadas todas as quartas-feiras que não têm visita. A decisão será no dia 31 de julho.

– Nossa expectativa é muito boa tendo em vista que já na primeira rodada não houve nenhum tipo de problema com relação a elas e à segurança. E a gente imagina que esse tipo de atividade possa vir a contribuir com a ressocialização delas. Para que elas possam pensar em outras coisas se não no cárcere, que já é tão duro pras mulheres – completou Marcelo Lopes.


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