Prosa poética

Prosa poética

O som da felicidade

Era um menino chamado João, ele era muito alegre e atentava a todos com a sua música, tocava e cantava. João não gostava de Murico, o seu padrasto, que não gostava dele e nem de sua música.

Em uma tarde, João chegou da escola e resolveu sentar em sua cadeira na área da frente de sua casa como sempre, tocava e cantava todos os dias. De repente ele foi surpreendido por seu padrasto esbravejando, tomou o seu violão e quebrou ao meio. João ficou muito triste e disse:

— Mamãe, era o único brinquedo e, meu violão preferido, chorando ele foi para o seu quarto e chorou por várias horas até pegar no sono. Quando amanheceu o dia, sua mãe o chamou para tomar café, ele foi, mas continuou calado, não tocou no assunto e nem a sua mãe.

João se sentia sozinho, pois sua mãe não se importava com ele como deveria, até que um dia ele resolveu ir embora sem avisar ninguém, passou dias e dias andando nas ruas e dormindo em qualquer lugar, até que, em uma rua qualquer ele achou um violão em uma lixeira, pegou o instrumento e viu nascer novamente a alegria no seu coração. Ele começou a cantar nas praças para poder ter o que comer e beber todos os dias. Sua casa era na rua, em qualquer lugar, no banco da praça e nas paradas de ônibus. Todos os dias um senhor generoso o ouvia tocar e cantar, ele sempre colocava no chapéu de João um valor em dinheiro suficiente para ele comer durante o dia.

Em uma manhã João foi à padaria, tomar café e ao retornar para o seu ponto na praça, onde cantava e tocava, ele foi surpreendido por policiais. Que o seguraram enquanto um deles dizia:

— Menino cadê sua mãe? O que João respondeu:

— Me solte policial, minha mãe está ali e apontou para uma senhora que estava acenando para outra mulher no outro lado da rua. O policial o soltou pensando que era verdade, ele aproveitou a distração dos mesmos e correu. Quando os policiais perceberam que foram enganados começaram a correr atrás dele, para levá-lo ao orfanato. Os policiais não tinham certeza, mas todos naquela pequena cidade imaginavam que ele não tinha família por perto, e se tinha ninguém se importava! Ele correu, correu até conseguir despistar os policiais que acabaram encontrando e levando outra criança, em situação semelhante.

Por ironia do destino João esbarrou no senhor generoso, que costumava dá dinheiro para ele comer todos os dias, ele o segurou e perguntou:

— O que está acontecendo?

— Moço me solte! Eu preciso correr! Como o senhor sabe, eu moro rua, minha família não me ama. Eu não fiz nada de errado, só quero ser feliz com a minha música! Sabendo de sua história, ele pediu que o menino confiasse nele, pois iria cuidar para que não vivesse mais nas ruas.

João como via o empenho daquele moço generoso em dá-lhe comida todos os dias, disse:

— Se não fosse o senhor me ajudar, eu nem sei o que eu iria comer, pois o que eu ganhava não era suficiente, e, às vezes, os outros meninos maiores tomavam meu dinheiro. Só em pensar em ter um lar, o meu coração se enche de alegria. Lá doce lá! Morar na rua não é tão bom como imaginei, existem muitas pessoas ruins. Se a gente não for esperto eles podem até nos matar. Falo sério! Aconteceu com um amigo que fiz na rua. Como sinto falta de uma casa e de não ter preocupações, só que eu não quero mais voltar para minha, pois de lá, ninguém veio atrás de mim e eu só estou a alguns quarteirões de casa, na praça onde eu fico eu já vi meus vizinhos e seus filhos, tenho certeza que se eu fosse importante na vida da minha mãe, ela teria vindo me buscar.

— Não se preocupe, irei ajudar você! E seguiu dizendo: — A propósito eu amo tocar e cantar também, pois a música abre um universo de possibilidades para nós compreendermos quem somos.

(*) Fernanda Santana da Silva Diocleciano, professora do ensino fundamental I – lotada na escola Estadual Rural Ruy Azevedo, desde o ano de 2017.