Poronga

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Surtando

Não satisfeito em culpar, sem provas, ONGs ambientalistas pelo crescimento no desmatamento na Amazônia, com o intuito de prejudicar a imagem de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro agora diz que governadores da Região Norte são “coniventes” e não resolvem a situação.

Acusação

“Olha só, tem governador, não quero citar nome, que está conivente com o que está acontecendo e bota a culpa no governo federal. Tem estados aí, que não quero citar, na região Norte, que o governador não está movendo uma palha para ajudar a combater incêndio. Está gostando disso daí”, afirmou Bolsonaro ontem, quarta-feira, 21.

Invertendo responsabilidades

“Pergunte a cada governador, se não me engano são sete governadores da região Norte, Nordeste nove, pergunte para a assessoria de imprensa deles o que está acontecendo, o que os governos estaduais já fizeram. Tem governo estadual que não fez nada, e pode fazer”, declarou ainda Bolsonaro, o principal incentivador dos desmatamentos.

Símbolo

A destruição de Bolsonaro na região produziu uma imagem dramática que será o símbolo da luta pela Amazônia – e pode fazer o Brasil perdê-la. A cena em que um tamanduá mirim tenta fugir de uma queimada na Amazônia foi registrada pelas lentes do fotógrafo Araquém Alcântara e tem tudo para se tornar o símbolo de uma luta internacional pela preservação da Amazônia, assim como as imagens de ursos sobre calotas de gelo que derretem passaram a simbolizar os efeitos do aquecimento global.

Tragédia

O número de focos de queimadas cresceu 70% este ano (até o dia 18 de agosto) na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, o Brasil registrou 66,9 mil pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Segundo os dados do Inpe, o bioma mais afetado é o da Amazônia, com 51,9% dos casos. O cerrado vem em seguida com 30,7% dos focos registrados no ano.

Insanidade

A área desmatada da Amazônia em julho atingiu uma área total de 2.254 km². Isso equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019, período em que o volume total do desmatamento chegou a 6.833 km², e um volume 278% maior que o verificado em julho de 2018, quando foram registrados 596,6 km² de desmatamento.

Apuração

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Inpe que fiscaliza ações de desmatamento. O volume de 6.833 km² verificado entre agosto de 2018 a julho de 2019 supera em 33% o desmatamento medido nos 12 meses anteriores.

Repúdio

Ontem pela tarde, em uma carta aberta, 52 organizações da sociedade civil, que integram o Pacto Pela Democracia, criticaram as acusações feitas por Jair Bolsonaro de que Organizações Não Governamentais (ONGs) seriam as responsáveis pelos incêndios florestais que devastam a Amazônia há 18 dias. “Atribuir a terceiros a autoria de eventos pelos quais se é responsável é uma prática tão comum quanto nefasta”, diz um trecho do documento.

Subscritores

Dentre os signatários da carta, estão organizações como o Instituto Ethos, Instituto Alana, Idec, Atados, Bancada Ativista, Fundação Tide Setubal, Oxfam Brasil, SOS Mata Atlântica, dentre outras instituições.

Excelsa irresponsabilidade

“A recente acusação por si só já nos desperta imenso repúdio, e se torna ainda mais grave por não se tratar de um episódio isolado. A sugestão de que a atuação das ONGs no Brasil é marcada por práticas espúrias vem sendo enunciada de forma recorrente e absolutamente infundada por vossa excelência. Infelizmente, ela parece seguir a trilha de quem também declarou o desejo de varrer do Brasil todos os ativismos”, ressalta o documento.

Nova ordem

Ontem o Diário Oficial trouxe o Decreto 3.847, de 21/08/2019, assinado pelo governador Gladson Cameli, contendo a nomeação de Lauro Ferreira de Melo para exercer o cargo de presidente da Fundação Hospital do Estado do Acre - Fundhacre. Lauro Ferreira vai substituir o odontólogo Lúcio Brasil, tido no meio político como uma indicação do deputado José Bestene (PP).

Compromisso além do mandato

Emendas do ex-deputado Federal Angelim (PT), resultaram na liberação de R$3.283.907,75 (três milhões, duzentos e oitenta e três mil, novecentos e sete reais e setenta e cinco centavos) para os diversos municípios do estado.

Destinação

Desse montante dois milhões, cento e setenta e quatro mil e oitocentos reais serão destinados a Atenção Básica da Saúde e hum milhão, cento e nove mil cento e sete reais para a aquisição de equipamentos e infraestrutura.

Endereço

Os municípios contemplados foram: Rio Branco 1.536.907,00; Senador Guiomard 367.000,00; Cruzeiro do Sul 480.000,00; Brasileia 200.000,00; Capixaba 150.000,00; Epitaciolândia 100.000,00; Plácido de Castro 150.000,00; Porto Acre 100.000,00; Tarauacá 200.000,00.

Amazônia em chamas

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse ontem, quinta-feira (22,) que a cúpula do G7 precisa discutir os incêndios na Amazônia. O encontro está previsto para este fim de semana, em Biarritz, no sudoeste francês.

Preocupação

Em mensagem publicada no Twitter, Macron postou uma foto de um incêndio florestal e chamou as queimadas na Amazônia de “crise internacional” e “emergência”. “Nossa casa queima. Literalmente. A Amazônia, o pulmão de nosso planeta, que produz 20% de nosso oxigênio, arde em chamas. É uma crise internacional”, escreveu o presidente Francês.

Convocação geral

“Membros do G7, vamos nos encontrar daqui a dois dias para falar dessa urgência!”, completou Macron.

SOS

Ontem, em Brasília, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) saiu em defesa da Amazônia na Câmara dos Deputados. A parlamentar acredita que é preciso agir rapidamente para que os prejuízos sejam reduzidos e que o aumento do desmatamento e das queimadas é, na maior parte dos casos, criminoso.

Sinais trocados

Perpétua defendeu as populações tradicionais que sofrem as consequências do desmatamento e perdem a terra para as multas enquanto os grandes devastadores, aqueles que desmatam ilegalmente, são amparados por advogados e não pagam multa nenhuma.

Inércia

“Até quando vamos assistir a morte da Amazônia de braços cruzados?”, questionou a deputada. Perpétua citou os dados alarmantes do Sistema de Alerta de Desmatamento que foram divulgados recentemente e mostraram que na comparação de julho deste ano com julho de 2018, o desmatamento foi 66% maior de um ano para o outro. Para ela, uma das possíveis causas deste aumento é o incentivo que sai das falas de Jair Bolsonaro, presidente do Brasil.


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