Poronga

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Poronga: Novo nome

O deputado estadual José Bestene, do Partido Progressista – o mesmo do governador Gladson Cameli e do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nicolau Júnior - poderá vir a ser candidato a prefeito de Rio Branco, nas eleições do ano que vem.

O anúncio foi feito pelo próprio parlamentar em pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, na sessão de ontem, quarta-feira, 21.

Currículum

Deputado de vários mandatos e passagens por diversos cargos públicos desde o final da década de 1980, quando foi secretário de finanças do então prefeito de Rio Branco, Jorge Kalume, seu mentor político, Bestene já foi também presidente da Assembleia Legislativa. Bestene, é, portanto, um dos atuais políticos do Acre com uma das carreiras mais longevas no cenário político acreano, principalmente como dirigente regional do Progressistas, partido que ele conduziu até recentemente, quando entregou o cargo à senadora Mailza Gomes.

Desidratado

Bestene vem sendo desidratado politicamente de forma explícita dentro do atual Governo. No mês de maio, ocorreu a exoneração do odontólogo Alysson Bestene, sobrinho do deputado, do cargo de Secretário de Estado de Saúde, quando foi substituído pela médica brasiliense Mônica Feres.

Arranjo

Alysson, no entanto, não caiu de todo. Ele foi aquinhoado com o cargo de secretário de Articulação Política. O novo cargo de Alysson o obrigaria, a priori, a manter uma boa relação com os deputados estaduais, principalmente os da base, como é o caso de seu tio José Bestene. Mas também não é o que está acontecendo.

'Desbestenização'

Após a efetivação de Mônica Flores na Secretaria de Saúde, veio a exoneração de vários cargos de direção do órgão, os quais passaram a ser ocupados por oficiais aposentados do Exército brasileiro, trazidos de Brasília e de outras regiões do país principalmente por suas relações de amizade com o marido da secretária de saúde, que também vem a ser militar aposentado do Exército.

Além do coice, a queda!

Ontem pela manhã o Diário Oficial do Estado (DOE) circulou com a exoneração do odontólogo Lúcio Brasil do cargo de diretor-presidente da Fundação Hospitalar do Estado, aquele mesmo que, no início do atual governo, recebeu o senador Márcio Bittar (MDB) em visita ao hospital literalmente em lágrimas. Brasil disse que chorou por não conseguir suportar ver as condições degradantes em que se encontrava o hospital.

Mais chororô

Lúcio Brasil deve chorar outra vez, agora pela perda do cargo. “Ele vai voltar a seu consultório e às suas atividades de profissional honrado e comprometido com o que faz. Vai voltar a fazer as pessoas sorrirem melhor”, disse Bestene, ao se referir à especialidade do odontólogo, que é de cirurgião buxomaxilar – um dos poucos profissionais desta área no Estado; o segundo é Sandro Jorge, que vive em Cruzeiro do Sul.

Selva

Lúcio Brasil vai ser substituído na Fundhacre por outro coronel do Exército aposentado, vindo de Brasília. Chama-se Lauro Lemos, outro ilustre desconhecido dos acreanos. A exoneração de Brasil e sua substituição por um desconhecido levou José Bestene à tribuna e dizer que estava revendo suas posições na Assembleia e na própria vida política, razão pela qual seria candidato a prefeito e, dando sinais de que vai atuar de forma independente ou em oposição ao atual governo, acenando para o colega Roberto Duarte (MDB) como companheiro de chapa numa possível disputa pela Prefeitura de Rio Branco.

Troco

A resposta do Palácio Rio Branco à rebeldia do deputado estadual José Bestene (Progressistas), que mesmo sendo da base de apoio ao governo declarou-se independente e disposto a ser candidato a prefeito de Rio Branco contra a vontade do governador Gladson Cameli, foi imediata. Ontem, mal o deputado manifestara a intenção em discurso na Assembleia Legislativa, Gladson e o vice Major Rocha abriram as portas do Palácio Rio Branco, do outro lado da rua, para o ex-reitor da Universidade Federal do Acre, professor Minoru Kinpara.

Ação orquestrada

Foi uma audiência articulada por Rocha, já que Minoru disse ter 90 por cento de chances de vir a se filiar no PSDB, partido do vice-governador, para concorrer às eleições à Prefeitura de Rio Branco, no ano que vem. Segundo Kinpara, Gladson Cameli e Rocha manifestaram apoio a uma possível candidatura sua à Prefeitura e se isso se concretizar, José Bestene será uma espécie de enjeitado do governador e do Palácio Rio Branco – isso depois de ter sido um dos principais articuladores da candidatura de Gladson Cameli ao governo.

Surtando

Não satisfeito em culpar, sem provas, ONGs ambientalistas pelo crescimento no desmatamento na Amazônia, com o intuito de prejudicar a imagem de seu governo, o presidente Jair Bolsonaro agora diz que governadores da Região Norte são "coniventes" e não resolvem a situação.

Acusação

"Olha só, tem governador, não quero citar nome, que está conivente com o que está acontecendo e bota a culpa no governo federal. Tem estados aí, que não quero citar, na região Norte, que o governador não está movendo uma palha para ajudar a combater incêndio. Está gostando disso daí", afirmou Bolsonaro ontem, quarta-feira, 21.

Invertendo responsabilidades

"Pergunte a cada governador, se não me engano são sete governadores da região Norte, Nordeste nove, pergunte para a assessoria de imprensa deles o que está acontecendo, o que os governos estaduais já fizeram. Tem governo estadual que não fez nada, e pode fazer", declarou ainda Bolsonaro, o principal incentivador dos desmatamentos.

Símbolo

A destruição de Bolsonaro na região produziu uma imagem dramática que será o símbolo da luta pela Amazônia – e pode fazer o Brasil perdê-la. A cena em que um tamanduá mirim tenta fugir de uma queimada na Amazônia foi registrada pelas lentes do fotógrafo Araquém Alcântara e tem tudo para se tornar o símbolo de uma luta internacional pela preservação da Amazônia, assim como as imagens de ursos sobre calotas de gelo que derretem passaram a simbolizar os efeitos do aquecimento global.

Tragédia

O número de focos de queimadas cresceu 70% este ano (até o dia 18 de agosto) na comparação com o mesmo período de 2018. Ao todo, o Brasil registrou 66,9 mil pontos, segundo a medição do Programa Queimadas do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Segundo os dados do Inpe, o bioma mais afetado é o da Amazônia, com 51,9% dos casos. O cerrado vem em seguida com 30,7% dos focos registrados no ano.

Insanidade

A área desmatada da Amazônia em julho atingiu uma área total de 2.254 km². Isso equivale a mais de um terço de todo o volume desmatado nos últimos 12 meses, entre agosto de 2018 e julho de 2019, período em que o volume total do desmatamento chegou a 6.833 km², e um volume 278% maior que o verificado em julho de 2018, quando foram registrados 596,6 km² de desmatamento.

Apuração

Os dados são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), ferramenta do Inpe que fiscaliza ações de desmatamento. O volume de 6.833 km² verificado entre agosto de 2018 a julho de 2019 supera em 33% o desmatamento medido nos 12 meses anteriores.


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