Poronga

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Questão de ordem

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai divulgar nota rebatendo as críticas do presidente Jair Bolsonaro sobre sua atuação no caso Adélio Bispo.

Utilidade

Em entrevista à rádio Jovem Pan, o presidente afirmou que, por uma ação da OAB, a Polícia Federal não poderia periciar o celular de Adélio, que o esfaqueou em setembro do ano passado. “Para que serve essa Ordem dos Advogados do Brasil a não ser para defender quem está à margem da lei?”, questionou.

Resposta

Na nota assinada pelo presidente Felipe Santa Cruz, a OAB diz que toda a advocacia brasileira foi alvo de “ataques injustificados” e se propõe a responder a pergunta de Bolsonaro sobre para que serve a Ordem.

Princípio

“A OAB existe para fazer valer o compromisso de que todo advogado se incumbe em seu juramento, ao entrar na profissão. Prometemos exercer a advocacia com dignidade e independência, observando a ética e as prerrogativas profissionais”, afirma.

Fake news

O jornal o Estado de São Paulo foi verificar a informação prestada por Bolsonaro e verificou que é falsa a informação de que o sigilo telefônico de Adélio Bispo é protegido pela OAB. A informação falsa confunde o processo do acusado com outra ação envolvendo seu advogado, Zanone Manuel de Oliveira. O boato foi publicado no início do mês no Facebook.

Inconcebível

O jornalista Glenn Greenwald escreveu ontem, sábado (29), sobre as últimas revelações feitas pelo The Intercept Brasil ao raiar do dia. “A conduta de Moro como juiz tornou-se tão obviamente antiética e politizada que mesmo seus mais leais defensores do MPF explicaram entre si com clareza por que a violação dele de regras éticas e ações politizadas tornou seu trabalho ilegítimo e corrompido”, apontou

Raiva incontida

Antes, Glenn havia escrito que “Ninguém mais precisa argumentar se a conduta de Moro como um juiz era antiética, corrupto e imprópria. Os próprios promotores sabiam e - pelo menos em segredo - reconheceram isso e reclamaram com grande raiva, mas também grande clareza sobre isso”.

Estarrecedor

Por seu turno, o jornalista Reinaldo Azevedo, criador do termo ‘petralha’, escreveu que “a cada nova informação que vem a público sobre diálogos travados entre procuradores da Lava Jato — com a participação de Sergio Moro ou sobre ele —, defender os métodos da força-tarefa e do ex-juiz e suas relações com a política deixa de ser uma questão de avaliação, gosto ou rigor técnico”.

Moto-contínuo

E avança: “Trata-se de uma questão de caráter e, vai ficando claro, de condescender ou não com ações criminosas. Lembrando sempre que a tarefa dos procuradores e do então juiz era… combater o crime.”

Cumplicidade e dignidade

Segundo Reinaldo, a última reportagem publicada neste sábado pelo Intercept Brasil “traz à luz diálogos verdadeiramente asquerosos dos membros da força-tarefa. Procuradoras e procuradores tinham clareza absoluta da atuação indevida de Moro; fazem considerações muito pouco lisonjeiras sobre ela; admitem por meio de palavras ou da anuência silenciosa ‘violação [por Moro] do sistema acusatório’, mas tomam a decisão — que tem de ser chamada de política — de endossar os desatinos do juiz. Para Reinaldo, “com vergonha na cara, todos os procuradores da Lava Jato pediriam para sair”.

Revelações do Intercept

Na véspera de o juiz Sérgio Moro ser confirmado no Ministério da Justiça, procuradores da Lava Jato manifestavam preocupação porque sabiam da precariedade da condenação e da dificuldade para a manutenção da prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem provas, eles temiam que o PT derrubasse a frágil “convicção” da força-tarefa com a narrativa de que ela era partidária e o julgador (bingo!) parcial.

Preocupação

O procurador Antônio Carlos Welter, no dia 31 de outubro de 2018, sintetiza o pensamento da força-tarefa numa mensagem: “Veja que um dos fundamentos do pedido feito ao comitê da Onu para anular o processo do Lula é justamente o de falta de parcialidade do juiz”, disse.

Às escâncaras

“E logo após as eleições ele é convidado para ser Ministro. Se aceitar vai confirmar para muitos a teoria da conspiração. Vai ser um prato cheio. As vezes, o convite, ainda que possa representar reconhecimento (merecido), vai significar para muita gente boa e imparcial, que nos apoia, sem falar da imprensa e o PT, uma virada de mesa, de postura, incompatível com a de Juiz”, continuou Welter.

Dando na vista

O procurador Alan Mansur, no dia 1º de novembro de 2018, após a confirmação de Moro como superministro, avaliou: “Será ainda mais marcado por parcialidade. E sempre ficará o comentário, Moro fez tudo isso para assumir o poder.”

Contumaz

Por seu turno, a procuradora Monique Cheker é bastante assertiva sobre as ilegalidades na Lava Jato, ao admitir a submissão da força-tarefa e afirmar que “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados.”

Perseguição odiosa

Ainda sobre as revelações do site Intercept Brasil, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), classificou como “nazista” o pedido do procurador Deltan Dallagnol para que se fizesse busca e apreensão por uma “questão simbólica” contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) dias antes da eleição do segundo turno.

Função

Wagner era coordenador da campanha do candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, que disputava o segundo turno contra Jair Bolsonaro (PSL).

Alvo definido

“Isso é urgentíssimo. Tipo agora ou nunca kkkkk”, recomendou o procurador Deltan Dallagnol numa das mensagens que, diante de ponderação de seu interlocutor, outro procurador, completa: “Acho que se tivermos coisa pra denúncia, vale outra BA [busca e apreensão] até, por questão simbólica”.

Desvio de conduta

“A sociedade apoia investigação séria para combater a corrupção mas não apoia um judiciário e um MP em formato de partido político com feições nazistas numa perseguição cruel aos seus adversários por “questão simbólica””, protestou neste sábado (29) o governador baiano.

Justiça politizada

Para o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Pimenta (RS), a pressa de Deltan para promover ação a 4 dias do 2° turno prova que ele usou seu cargo e a estrutura do Ministério Público Federal (MPF) para influenciar a eleição, violar o processo eleitoral e a democracia.


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