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O imobilismo do governo e o sequestro do orçamento público para as eleições de 2020

Após duas décadas de governo, 2019 marca o primeiro ano do PT fora da gestão. O Partido dos Trabalhadores

foi derrotado nas urnas em 2018, devido equívocos, brigas internas agudas, desgaste temporal e por um discurso opositor assentado sobre promessas eleitorais mágicas e inexequíveis, além, é claro, do efeito resultante da onda nacional devastadora, fruto do golpe contra o PT e a democracia brasileira, que provocou o impeachment da Dilma e a prisão do presidente Lula, que seria novamente candidato à presidente.

Durante o processo eleitoral, inúmeras foram as declarações do atual governador sobre soluções imediatas para problemas nas áreas da segurança pública, saúde e infraestrutura. Nas palavras do governador: “dinheiro tem, o que falta é gestão!”. Além da alardeada suposta falência do modelo de desenvolvimento, contraposto no discurso pelo agronegócio como solução rápida para a crise econômica, de emprego e renda que varria e varre o Brasil, também no Acre, desde o segundo mandato da presidenta Dilma e que foi agravado com Temer.

Passados mais de 300 dias desde que ganharam as eleições e começaram a planejar o governo e mais de sete meses que assumiram efetivamente, fica cada vez mais notório que estamos diante de um verdadeiro estelionato eleitoral. As soluções para a segurança pública e saúde, apresentadas nas promessas de campanha, já estão com prazos vencidos. Aparentemente, não passaram de promessas vazias para enganar a população acreana. A composição do governo que priorizaria “técnicos” foi mais um chavão barato e o Estado foi fatiado entre os diversos campos políticos que compunham o agrupamento.

O plano de governo protocolado junto ao TRE, utilizado na campanha para ludibriar a população de que havia um projeto para o Acre e não apenas uma estratégia para se apoderarem do poder, é um calhamaço de mentiras já empoeirado na gaveta. O documento, que não é mais lembrado, constantemente é acrescido de novas promessas a cada declaração infeliz do governador, que determina, muda a equipe, tenta terceirizar as responsabilidades para os secretários, diz que vai fazer, manda fazer e nada acontece.

A falta de clareza de um projeto político e econômico para o Acre e a inabilidade em fazer funcionar a máquina pública diante da multiplicidade de interesses, conduzem o Acre para uma de suas maiores crises de funcionamento das últimas décadas. Somado a isso, diariamente, os sites de noticias relatam as brigas internas do grupo vitorioso, em decorrência da disputa permanente pelo poder, já com vistas às eleições de 2020 e 2022.

As divergências internas do grupo demonstram claramente o objetivo dos que ocupam a máquina pública do Estado: se apropriar do orçamento público para interesses próprios ou de empresas, estas últimas em sua maioria de outros estados, inclusive conduzindo a falências as já combalidas empresas do Acre, ampliando o desemprego, a violência e a fome em nossas cidades.

A disputa pela apropriação do orçamento público em benefício pessoal é gritante, expressa nos discursos na ALEAC de deputados da base descontentes, notas de deputados federais irmanados com o governo ou mesmo em posições de bastidores, por vezes públicas de senadores que já apontam para candidaturas a governo em 2022.

O período de avaliação ainda é curto e existe a possibilidade de o governo ainda encontrar rumo, (torço por isso, mas duvido muito que aconteça), mas por enquanto o governo continua inerte enquanto os caciques disputam orçamento com vistas às eleições.

Presidente regional do PT/AC

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