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    A antidiplomacia que custa caro ao Brasil

    A série britânica “Years and Years”, em exibição na HBO, projeta um futuro ainda mais turbulento do que o presente

    . A tensão entre os EUA e a China se agrava, o sistema bancário entra em crise e o mundo fica à beira de um conflito nuclear. No Reino Unido, uma populista de extrema direita desafia os partidos tradicionais e avança na direção do poder.

    A personagem Vivienne Rook abre caminho à custa de grosserias e declarações chocantes. A cada insulto, conquista mais manchetes e mais seguidores fanáticos. No fim do primeiro episódio, ela festeja a notícia da morte da chanceler alemã Angela Merkel. “Já vai tarde. O mundo acaba de ficar bem mais bonito”, debocha, num programa de TV.

    Rock é inspirada na francesa Marine Le Pen, mas suas falas também caberiam nas bocas de políticos brasileiros. Na semana passada, o vice-presidente Hamilton Mourão fez piada com a saúde de Merkel, que andou sofrendo tremores em aparições públicas. O vice atribuiu o sintoma a uma “encarada” que ela teria recebido do “nosso presidente Donald Trump”.

    Nesta quarta, foi a vez de Jair Bolsonaro provocar Merkel. Em tom irônico, ele chamou a alemã de “senhora querida”. “Pega essa grana e refloreste a Alemanha, ok? Lá está precisando muito mais do que aqui”, disse.

    A incivilidade não é o único problema nas declarações do presidente e do vice. Destratar líderes de países amigos é uma atitude prejudicial ao Brasil. A antidiplomacia bolsonarista ameaça atrapalhar a economia e isolar o país no cenário internacional. No caso de Merkel, filiada a um partido conservador, não há nem a desculpa ideológica para as ofensas.

    Ontem Bolsonaro resolveu atacar a Noruega, que já deu R$ 3,2 bilhões ao Fundo Amazônia e também suspendeu os repasses. “A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não? Não tem nada a dar exemplo para nós”, desdenhou. A claque governista vibrou, mas o Brasil perdeu mais R$ 132 milhões.

    A realidade brasileira tem uma desvantagem em relação à ficção britânica. Para se livrar dos insultos de Vivienne Rook, basta desligar a TV.

    Jornalista

    Fonte: https://blogs.oglobo.globo.com

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