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O cavalheiro e seu bom garoto

Dizia Camões, nos Lusíadas, que “um rei fraco faz fraca a forte gente”.

E o que faz ao Brasil um presidente insano e grotesco como Jair Bolsonaro?

Com uma rapidez inaudita nos está prendendo a acordos que vão nos custar caro por décadas a fio, como este Acordo Comercial Brasil-Estados Unidos de que hoje se falou.

A não ser que seja meramente marqueteira a menção, é tema de uma enorme gravidade.

O único acordo comercial que tivemos com os EUA, em 1935, num esforço norte-americano para enfrentar as propostas de comércio compensado da Alemanha (produto por produto, o que não resolvia nossa escassez de moeda estrangeira) foi muito limitado e envolveu poucos produtos. Ainda assim, teve forte oposição do empresariado brasileiro nascente, com Euvaldo Lodi e Roberto Simonsen, apesar da sua proximidade com Vargas, fazendo-lhe forte oposição.

Não se mexe assim, em cima da perna, com uma relação de comércio que tem volume e extensão capaz de impactar fortemente a combalida economia brasileira. E na qual, pela disparidade entre os dois países, erros nos custarão incomensuravelmente mais caro que a eles.

O governo Bolsonaro tem se mostrado aflito e afoito em firmar grandes acordos comerciais, muito mais que em expandir nossas exportações por conquista e ampliação de mercados, como é da nossa tradição desde meados dos anos 70. Inaugurou-se quando o chanceler Francisco Azeredo da Silveira conduziu a política chamada de “pragmatismo responsável” de Ernesto Geisel, que abriu nosso comércio com a África, o Oriente Médio e restabeleceu relações com a China.

Bolsonaro tem mostrado uma pressa temerária para algo que nem os governos militares, francamente pró-americanos, fizeram.

Fechou, em dias, o acordo Mercosul – União Europeia que estava emperrado há anos e a rapidez, todos sabem, foi obtida pelo abrandamento abruto de nossas condições, por ele e por um Maurício Macri que tem a corda pré-eleitoral no pescoço.

É “amigão” do presidente norte-americano e Donald Trump disse hoje que o ex-capitão é “um cavalheiro”.

Bem, se a boa vontade achar uma virtude no tosco Jair, não será, por certo, a do cavalheirismo, não é?

Mas Trump tem boas razões para desfazer-se em elogios ao presidente brasileiro.

Como reclamar de alguém que não apenas se alinha sem sequer ser mandado, às políticas globais dos EUA? Que vai mandar o filho, aquele que usa os bonés do Trump Again, para servir de estafeta linha-direta dos desígnios da Casa Branca sobre o Planalto?

Como não ser gentil com alguém que entrega a soberania sobre uma base de foguetes no Maranhão e que publicamente convida as mineradoras norte-americanas para virem explorar terras indígenas no Amazonas?

Deveria ter dito que era mais que um great gentleman, que era um lorde, sir Mito.

O rei fraco a que Camões se referia era Fernando I, que no final do século 14, precisando de apoio para manter-se no poder, firmou a Aliança Luso-Britânica, ampliada ao longo dos séculos enquanto a Grã-Bretanha ascendia à condição de maior potência do mundo. E o ouro português, retirado daqui, adivinhem onde foi parar?

Jornalista

Fonte: http://www.tijolaco.net

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