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Mesmo após vazamentos, Moro prossegue na transgressão às normas judiciais

O ministro da Justiça Sérgio Moro cresceu em ousadia, mesmo após a sequência de revelações do The Intercept

Brasil mostrando sua troca de mensagens, quando juiz, com procuradores da operação Lava Jato. É isso que mostra Janio de Freitas, em sua coluna mais recente na Folha de S.Paulo.

Ele destaca relato publicado no mesmo jornal por Rubens Valente, mostrando que Moro entregou ao presidente da República dados do inquérito sobre os laranjas do PSL.

“Ele [Moro] mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim. Mandei um assessor meu ler porque eu não tive tempo de ler”, disse Bolsonaro no dia 28, em entrevista coletiva no Japão.

O problema é que a investigação corre em segredo de justiça na 26ª Zona Eleitoral de Minas Gerais. Se, como o próprio Bolsonaro confirma, Moro, como ministro da Justiça e chefe da Polícia Federal, entregou o inquérito para o presidente da República sobre uma investigação que tramita contra seu partido, cometeu irregularidades éticas e legais.

Bolsonaro prosseguiu na coletiva afirmando que determinou a Moro para que a PF “investigue todos os partidos”. “Tem que valer para todo mundo, não ficar fazendo pressão em cima do PSL para tentar me atingir”, completou.

“Moro transgrediu o segredo de Justiça aplicado ao inquérito. Com a mesma conduta de infidelidade judicial, o mesmo método de ação subterrânea, o mesmo ânimo transgressor que as mensagens comprovam”, pondera Janio.

O colunista chama a atenção que o fato acontece a menos de um mês desde o início das revelações do Intercept. E o ministro age com “desimportância e normalidade das mensagens expostas”.

O ministro se defende dizendo não reconhecer “toda a autenticidade das frases”. “[Essa resposta] foi uma dubiedade necessária, mas invalidou a intenção de desacreditar as conversas. Agora, em audiência na Câmara, Sergio Moro apelou para a cansada evasão político-sentimental: é ‘vítima de revanchismo’. De quem?”, completa o articulista.

Janio aponta que, definitivamente, esse revanchismo não é dos meios de comunicação que estão repercutindo o escândalo dos vazamentos das conversas que ele, então juiz, teve com os procuradores da Lava Jato.

“Dos que difundem as mensagens, claro. Da Folha, do jornal O Globo e da TV Globo, do Estado de S. Paulo, da Veja, dos que por quase cinco anos o trataram como o herói perfeito, intocável e eleitoral? Não há motivo para revanche nessa relação de gratidões mútuas, sem ressentimentos”, lembra.

“A Lava Jato, seus métodos e suas conseqüências não seriam como foram, e são, sem as contribuições da imprensa e parte das TVs, em projeção e em tolerância”, arremata Janio.

Ao mesmo tempo, ele avalia que, justamente esse passado recente da imprensa, de ter tratado Moro como herói, protege agora o ministro “das proporções de fato merecidas pelo escândalo de sua ação”.

“As conversas não surpreendem quem teve liberdade crítica na observação a Moro, aos procuradores e delegados da Lava Jato. Mas é espantoso, isso é, que Moro prossiga na transgressão às normas judiciais, a que dizia estar dedicado”, analisa.

O articulista ressalta que, nas várias vezes em que foi indagado na Câmara a respeito de investigações contra o jornalista Glenn Greenwald, responsável pelo Intercept, o ministro teve duas reações: “ou não respondeu, ou disse que sua relação com a Polícia Federal é apenas a de lhe proporcionar condições de trabalho. Não tinha a resposta, pois.”

Bom, a recente notícia de que ele encaminhou ao presidente, de forma ilegal, um inquérito sobre as candidaturas laranjas do PSL, que tramitava na justiça de Minas Gerais, mostra que Moro, mais uma vez, falta com a verdade.

“Além do notório acompanhamento que faz da atividade da PF, o que Moro entregou a Bolsonaro foi um relato sigiloso de que tinha conhecimento, assim como das investigações da PF para a Justiça Eleitoral”, ressalta Janio.

“Sergio Moro pode seguir na escalada de escapismos. Mas não detêm impulsos transgressores nem restauram sua imagem fantasiosa. Resta-lhe satisfazer-se com os serviços que prestou e tentar, com eles, a retribuição de uma vaga no Supremo”, conclui o articulista.

Fonte: https://jornalggn.com.br

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