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Cientista alerta que Amazônia deixará de produzir chuvas em dois anos

A imensurável hecatombe ambiental que se dará na América do Sul pelos aumentos dos desmatamentos e das queimadas da Amazônia está mais próxima de se concretizar do que nunca.

Os cientistas acabam de encurtar para apenas dois anos o tempo de inflexão em que a grande floresta brasileira vai começar a deixar de produzir chuvas para si mesmo e para a região Centro-Sul do Brasil, além dos territórios vizinhos da Argentina, Uruguai e Paraguai.

O grave alerta foi dado pela economista Mônica de Bolle, pesquisadora sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional, situado em Washington, capital dos Estados Unidos, ao afirmar que, por causa dos crescentes desmatamentos e queimadas no Brasil, daqui a dois anos a maior floresta tropical do mundo deixará de produzir chuva suficiente para se sustentar porque vai se transformar lentamente numa savana mais seca, liberando bilhões de toneladas de carbono na atmosfera.

Segundo a pesquisadora, as consequências desse cenário serão desastrosas porque as árvores amazônicas vão parar de sequestrar carbono e haverá mudança de clima, o que trará mais eventos de seca ou de tempestades furiosas na América do Sul. Ou seja, em vez de continuar ajudando a equilibrar o clima do planeta, a gigantesca floresta amazônica vai é contribuir para aumentar as secas e as temperaturas do globo terrestre.

Segundo publicou nesta quinta-feira, o Portal G1, como chefe do programa de estudos latino-americanos da Universidade Johns Hopkins, a economista Mônica de Bolle fez mais do que um anúncio, mas um alerta ao mundo ao pedir que todos prestem atenção às políticas do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, “que não se incomoda em dizer que floresta, para ele, só faz sentido se promover progresso e desenvolvimento para o país”.

O Portal da Globo.com ressalta que a política defendida por Bolsonaro, que tem estimulada a exploração econômica até das florestas indígenas, estaria contribuindo para o aquecimento global e para um desastre sem precedentes na região amazônica. O portal informa que o jornalista Dom Phillips, um dos correspondentes do jornal francês The Guardian no Brasil, ouviu cientistas (ver AQUI) sobre a declaração da pesquisadora Bolle.

Pesquisadores estimam tempos diferentes para inflexão da floresta

Um dos cientistas ouvidos foi Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), que disse que a degradação das terras já tem provocado sérios problemas. Nobre questionou, no entanto, o cálculo da economista De Bolle, segundo o qual o desmatamento estimado quadruplicaria de quase 18 mil quilômetros quadrados neste ano para quase 70 mil quilômetros quadrados até 2021.

"Estamos vendo, sim, um aumento no desmatamento, não estou questionando isso. Mas parece-me muito improvável o cálculo feito pela pesquisadora. Este aumento projetado do desmatamento é mais um cálculo econômico do que ecológico”, disse o cientista brasileiro. Em 2018, segundo o Portal G1, Carlos Nobre argumentou em artigo que o ponto de inflexão da Amazônia poderia acontecer no Leste, Sul e Centro do país, mas quando 20% a 25% da floresta fossem derrubados.

Um dado do IBGE de 2010, segundo destacou o portal da Globo.com, dá conta de que a área total derrubada da floresta estaria atualmente ainda em torno de 15%. “Assim sendo, e levando esse dado em conta, Nobre calcula que o ponto de inflexão da Amazônia aconteça daqui a 15, 20 anos”, assinalou o cientista Carlos Nobre.

Mas outro cientista ouvido pelo jornal francês The Guardian, Thomas Lovejoy, biólogo norte-americano e professor da Universidade George Mason, na Virgínia (EUA), destacou que a projeção da economista De Bolle pode se tornar realidade porque o aquecimento global, o desmatamento e o aumento de incêndios na Amazônia criaram uma “sinergia negativa”, que está acelerando a destruição da grande floresta. Lovejoy citou as secas dos últimos anos na região como um sinal de alerta deste fenômeno.

“Estamos vendo o primeiro alarme. A única coisa sensata a fazer é um reflorestamento e recuperar a margem de segurança que tínhamos” assinalou o cientista norte-americano. O Portal G1 lembra que o Acordo de Paris, assinado por 193 países, inclusive pelo Brasil, se compromete a fazer tudo o que estiver ao alcance de governos e empresas para conter o aquecimento global em 1,5 a 2 graus.

*Editor do site www.expressoamazonia.com.br.


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