Esportes

    Ausência de disputa para cadeirantes no US Open revolta paradesporto

    Comitê Paralímpico Internacional e atletas falam em discriminação

    O movimento paralímpico não reagiu bem à Federação de Tênis dos Estados Unidos (USTA, sigla em inglês) não incluir a disputa em cadeira de rodas na edição deste ano do US Open, um dos quatro principais campeonatos do circuito mundial da modalidade, ao lado de Aberto da Austrália, Roland Garros (França) e Wimbledon (Reino Unido). O torneio norte-americano foi confirmado pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, para ocorrer entre 31 de agosto a 13 de setembro, sem a presença de público, devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19).

    Em depoimento à página do Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês), o presidente da entidade, Andrew Parsons, pediu que os organizadores reconsiderem a decisão. “Entendemos que a pandemia de covid-19 trouxe múltiplos desafios para os realizadores de eventos esportivos pelo mundo, mas eles não podem ser desculpa para se discriminar um grupo de jogadores e não oferecer uma competição inclusiva a todos”, declarou o dirigente, que é brasileiro.

    “Assim como não podemos ter uma situação em que atletas sejam impedidos de jogar por causa de raça, gênero, nacionalidade ou sexualidade, eles também não devem ser impedidos de competir por atuarem em uma cadeira de rodas”, argumentou Parsons, ex-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

    Também segundo o comunicado na página do IPC, o presidente do Conselho de Atletas, Chelsey Gottel, alegou que não houve consulta aos atletas por parte da organização. “Isso parece um retrocesso. Reconhecemos que é uma tarefa difícil realizar qualquer evento esportivo. A segurança também é nossa prioridade número um, mas, se você pode sediar, com segurança, os torneios masculino e feminino, pode fazê-los para atletas em cadeira de rodas, que também desejam competir”, defendeu.

    “Tem sido um ano incrivelmente desafiador aos atletas paralímpicos, muitos dos quais vivem de uma renda modesta com o esporte. Tomar decisões que impactam diretamente no bem-estar e não se comunicar com eles parece equivocado”, completou Gottel.

    Os finalistas da edição 2019 da chave de cadeirantes do US Open se manifestaram pelo Twitter. “Achei que tinha feito o suficiente para me classificar, tendo ganhado duas vezes [o torneio] e sendo o número um do mundo. Mas, infelizmente, não consegui fazer a única coisa que importa: conseguir andar. Discriminação nojenta”, ironizou o australiano Dylan Alcott, atual vice-campeão. “E não digam que estou em maior risco por ter uma deficiência. Isso não faz de mim um doente. Estou melhor e mais saudável que quase todos que estão lendo isso agora”, afirmou.

    Ganhador do torneio no ano passado, o britânico Andrew Lapthorne reforçou as críticas do rival e também usou de ironia. “É mais um exemplo da terrível liderança no tênis. Não terei a chance de defender meus títulos de simples e duplas no US Open porque estou em completa desgraça na cadeira de rodas. Se isso não mudar, não sei o que dizer a não ser que é discriminação”, postou. 

    Em nota oficial, a Federação Internacional de Tênis (ITF, sigla em inglês), entidade que cuida da modalidade em cadeira de rodas no mundo, disse “compartilhar a decepção” dos atletas e que entende o “enorme desafio logístico enfrentado pelos organizadores em tempos sem precedentes”, fazendo menção à pandemia de covid-19. Ainda segundo o comunicado, a ITF afirmou que segue em contato com a organização do US Open e confirmou a disputa de cadeirantes no torneio de Roland Garros (França), agendado para setembro.

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