Em 2017, Acre registrou o maior número de assassinatos de mulheres nos últimos 10 anos

Do total de assassinatos contra mulheres, 70,5% foram cometidos contra negras – Foto: Reprodução

Por Leandro Chaves – Divulgado na semana passada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Atlas da Violência 2017 mostra que naquele ano o número de assassinatos de mulheres chegou a 34, batendo recorde da última década.

Foram 8.3 casos de violência letal por 100 mil habitantes do sexo feminino, o que coloca o estado em segundo lugar no ranking de taxa de homicídios contra esse público, atrás apenas de Roraima (10.6) e empatado com Rio Grande do Norte.

Entre 2016 e 2017, o número de casos subiu 47,8%. Nos últimos cinco anos, o aumento chega 112,5%. A variação da década foi de 88,9% para mais.

Do total de assassinatos contra mulheres, 70,5% foram cometidos contra negras. A relação entre 2016 e 2017 desse recorte racial mostra um aumento de 26,3%. O percentual sobe para 166,7% se comparado 2007 com 2017.

Realizado por meio de dados obtidos no Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (MS), o Atlas da Violência 2017 mostra preocupação com a flexibilização em curso da posse e porte de armas de fogo e a violência contra a mulher.

“Apenas em 2017, mais de 221 mil mulheres procuraram delegacias de polícia para registrar episódios de agressão (lesão corporal dolosa) em decorrência de violência doméstica, número que pode estar em muito subestimado dado que muitas vítimas têm medo ou vergonha de denunciar”.

“Considerando os altíssimos índices de violência doméstica que assolam o Brasil, a possibilidade de que cada vez mais cidadãos tenham uma arma de fogo dentro de casa tende a vulnerabilizar ainda mais a vida de mulheres em situação de violência”, conclui.

O Atlas apontou o Acre como o segundo estado com maior taxa de homicídios do país em 2017. Foram 62,2 assassinatos para cada 100 mil habitantes, totalizando 516 mortes desse tipo. Apenas Rio Grande do Norte ficou à frente, com uma taxa de 62,8.

“O crescimento da violência letal no Acre está intimamente associado à guerra por novas rotas do narcotráfico que saem do Peru e da Bolívia e que envolve três facções criminosas: Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Bonde dos 13 (B13)”, diz o estudo.

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