‘Desejávamos que o país não estivesse tão abandonado’, diz diretor de novela

Luiz Fernando Carvalho, diretor de ‘Velho Chico’, produção que estreia na próxima segunda-feira, às 21h, na Globo, conversou com a coluna sobre esse novo desafio. Pela quinta vez, Carvalho dirige uma novela assinada por Benedito Ruy Barbosa — as outras foram ‘Renascer’, 1993; ‘Rei do Gado’, 1996; ‘Esperança’, 2002, e ‘Meu Pedacinho de Chão’, em 2014.

Quais atrativos acredita que vão prender o público de ‘Velho Chico’?

Luiz Fernando: É um conjunto. Por exemplo, a brasilidade e seus desdobramentos: vai desde uma paisagem que não está ali apenas como cartão-postal, mas como espaço dramático, com o interior dos personagens se refletindo naquela geografia, até as coordenadas culturais, o uso e os costumes do povo. Tudo se completa traduzindo um mundo de invenção e memória que se traduz na história do Benedito. No fundo, estou falando do valor e do caráter de uma dramaturgia. Esta dramaturgia continua me interessando, me revelando coisas, por isso acredito que o público vai receber com alegria.

Acha que ‘Velho Chico’ pode recuperar a audiência do horário, pela boa performance de ‘O Rei do Gado’, no ‘Vale a Pena Ver de Novo’, e ‘Os Dez Mandamentos’, da Record?

O que me interessa é a comunicação. Há milhares de TVs ligadas diante de sofás onde pessoas adormecem. Lido com a consciência, acredito numa espécie de educação pelos sentidos. Quero despertar!

‘Velho Chico’ é um melodrama com amores proibidos, ganância e ambição?

O melodrama é o único gênero capaz de transpassar todas as classes sociais. E não deve ser encarado como gênero menor, muito ao contrário, ele pertence honrosamente à história da literatura, do cinema, das artes em geral e da própria TV como um dos pontos altos de sua história. Mas não penso ‘Velho Chico’ apenas como um melodrama. Basta levantarmos os olhos para o país e veremos um território imenso que não se restringe apenas a uma definição. Que país é este? Da mesma forma, a novela mescla gêneros na construção de sua atmosfera.

É uma história de amor e também uma crítica social?

Uma coisa independe da outra, não? E nossa crítica é uma crítica de desejo: desejávamos que o país não estivesse tão abandonado. Esta crítica é uma declaração de amor ao Brasil.

Agência O Dia