Casal suspeito de esquartejar criança no DF pode ter matado por motivo religioso

No Acre, delegado do Distrito Federal que investiga o caso diz que ouviu ao menos oito pessoas no estado – Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre

A polícia tenta descobrir os motivos que levaram à morte do pequeno Rhuan Maicon, de 9 anos, na madrugada do último sábado (1) no Distrito Federal. O delegado do DF que investiga o caso, Guilherme de Sousa Melo, está no Acre e diz que uma das razões para o crime pode ter sido o “exagerado fervor religioso” da mãe do menino e de sua companheira.

O corpo de Rhuan foi achado esquartejado dentro de uma mala na quadra QR 425 em Samambaia, no DF. A suspeita é de que a mãe do menino, Rosana Auri da Silva Cândido, de 27 anos, tenha cometido o crime com a ajuda da companheira dela, Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, 28. As duas estavam em casa quando a polícia chegou e foram presas.

A família do pai do menino afirmou que o pequeno Rhuan foi sequestrado do Acre há cinco anos pela mãe. O casal também peregrinava com a filha de Kacyla, uma menina de 8 anos que foi levada para um abrigo. O pai dela foi para Brasília para buscá-la.

“A motivação do crime, de fato, é uma incógnita, mas podemos dizer que existem vários fatores; como uma possível vingança dela contra os avós, contra o pai, um ódio que ela tinha pela criança. Elas apresentaram diversos motivos, alguns plausíveis e outros não. Dentro os plausíveis está esse exagerado fervor religioso por parte delas, que pode sim ter sido o fator que causou a morte do Rhuan”, afirmou Melo.

No Acre, o delegado afirma que já ouviu ao menos oito pessoas para tentar saber o que a criança passou pelos diferentes lugares em que viveu com a mãe e também os reais motivos do crime.

“De início foram parentes de todos os envolvidos, mas a investigação ganhou uma amplitude maior porque buscamos saber o que essa criança passou nos diversos lugares em que as mães viveram. Isso fez com que não só parentes dessas pessoas fossem ouvidas, mas pessoas ligadas a elas que, de alguma forma, observaram esse cotidiano da família naquela época”, disse o delegado.

Lesão corporal gravíssima

O delegado afirmou que o menino pode ter sofrido lesão corporal de natureza gravíssima ao ter o pênis “extirpado” pela própria mãe. Conforme Melo, a polícia tenta descobrir em que cidade exatamente ocorreu o fato.

“A Rosana quando fugiu do Acre, isso já posso dizer que é um fato, ela levou a criança para vários estados e nesses estados não temos certeza o que essa criança passou. Os elementos que obtivemos indicam que no estado de Goiás ela pode sim ter sofrido a lesão corporal de natureza gravíssima que foi a extirpação do pênis. Isso está, de certa forma, comprovado. O que nos falta comprovar é o local”, contou.

A mãe da criança e a companheira, de acordo com o delegado, mudaram de comportamento desde que se juntaram e passaram frequentar uma religião.

“Nesse fervor religioso exagerado, na verdade, tinha uma ojeriza a cabelo grande, dizia que quem tinha cabelo grande era endemoniado. Apuramos que na casa, durante a morte da criança, Rhuan era o único que tinha cabelo grande”, disse.

Outra criança seria morta

Para o delegado, a filha de Kacyla seria morta, caso a Polícia Civil não tivesse chegado até a casa delas no dia do crime contra o menino Rhuan. A polícia apura se a menina presenciou a morte da criança.

“Não tenho dúvidas de que se a equipe da Polícia Civil não chegasse naquele momento e exato local, a menina teria sido morta pelas duas. Até pelo estado que encontramos elas, pareciam em transe. Isso era um risco muito grande para vida da criança, já que havia uma criança esquartejada ao lado”, relatou.

No dia do crime, as suspeitas tentaram sacar o pagamento da pensão que o pai da menina depositava todos os meses. “Elas foram sacar o pagamento e não conseguiram sacar. Diante disso, também podemos acreditar que isso tenha, de alguma maneira, acelerado ou antecipado a morte do Rhuan”, falou.

A dupla deve ser indiciada por homicídio triplamente qualificado, tentativa de ocultação de cadáver e lesão corporal gravíssima. “Estamos reunindo provas para o crime de tortura e verificando se houve ou não o crime de cárcere privado”.

Portal G1/AC

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