Aumentam casos de complicações neurológicas em pacientes com chikungunya

Quem vê o professor Fábio Barcelos não diz, mas ele está com chikungunya. Toma remédios para diminuir a dor e conseguir caminhar. “Horrível. As dores são muito fortes. Em mim afetou perna e pé. Eu passei aí 20 dias com dificuldade de me locomover, mancando muito”.

Não bastassem as dores, veio o susto. A sogra de Fábio, mãe da Solange, morreu infectada pela chikungunya. No caso de dona Olga, de 81 anos, a doença complicou e o vírus atingiu a meninge, membrana que reveste o cérebro. Olga morreu de meningoencefalite causada pela chikungunya.

“Eu via como a minha mãe foi piorando a cada dia numa situação em que não era da chikungunya. Delirava, uma pessoa que não reconhecia ninguém no tempo que estava no CTI”, disse a psicóloga Solange Garcia.

A chikungunya é uma doença nova no Brasil. Por isso, as consequências dela nos pacientes infectados ainda não são totalmente conhecidas. As complicações como os quadros de meningite, por exemplo, chamaram a atenção dos pesquisadores e, por ser uma doença grave, que afeta o sistema nervoso central, trouxe mais preocupação.

“Já era descrito em outros países que a chikungunya podia levar alterações para o sistema nervoso central. A partir do momento que a chikungunya se espalhou no país, causando surtos em diversas regiões, foi observado em paralelo que houve também um aumento de casos de internação e complicação neurológica como meningite, encefalite, alterações dos nervos periféricos”, explica o infectologista da Fiocruz André Siqueira.

Os pesquisadores dizem que o vírus da chikungunya tem uma tendência a atacar o sistema nervoso central e aproveita a baixa imunidade dos pacientes para romper a barreira de proteção entre o sangue e o cérebro.

É importante ficar atento a alguns sintomas que podem indicar comprometimento neurológico como excesso de sono, alterações motoras e delírios.

A chikungunya é transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito da dengue, da zika e da febre amarela. Estamos diante de uma doença ainda imprevisível, mas a forma de evitar já bem é conhecida.

“A gente deve investir na prevenção da transmissão: combate ao mosquito, uso de repelentes para a proteção de cada indivíduo e da comunidade”, disse o infectologista.

“Claro que perder a mãe vai doer eternamente em qualquer situação. Mas uma pessoa lúcida, que tinha uma qualidade de vida boa por um mosquito, isso para mim é de muita indignação”, declarou Solange.

Jornal Nacional

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