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    Dinheiro teve, o que faltou foi gestão

    Passado um ano de gestão do atual governador do Acre, Gladson Cameli (PP), quase nada se cumpriu das inúmeras promessas feitas em palanque e do Plano de Governo protocolado no TRE. Documento que hoje não passa de um pedaço de papel sem utilidade. O jargão do governador “dinheiro tem, o que falta é gestão” pode ser aplicado sem nem um reparo para avaliar seu primeiro ano de governo.

    O modelo de desenvolvimento, baseado no agronegócio, que foi mote de campanha e pilar do debate acerca do desenvolvimento econômico do estado não passou de figura retórica no ano de 2019. A disputa para ver quem manda mais na Secretaria de Produção, entre a deputada federal Mara Rocha (PSDB), o ex-secretário Paulo Watt (PSDB) e o governador Gladson Cameli (PP), inviabilizou o funcionamento da área e o resultado, na prática, é quase nulo. Mesmo a tentativa de mudar esse cenário de letargia, com a nomeação do ex-prefeito de Acrelândia Tião Bocalon (PSL), “mítico da produção”, não surtiu efeito, nem se produziu nem tão pouco se gerou emprego nesse primeiro ano de governo. Os escritórios da SEPA no interior do Acre são prédios vazios de significado e atuação.

    A Secretaria de saúde, coração de um governo, não respondeu ao desafio assumido em campanha de melhoria do sistema. Inicialmente, entregue ao grupo do deputado José Bestene (PP) através da nomeação do seu sobrinho para secretário, Alysson Bestene (PP), a área passou por grandes problemas tendo ápice nas grave declarações do governador Gladson Cameli (PP) de que haviam cartéis atuando na saúde, mesmo sem explicações ou denúncias sobre quem fazia parte dos supostos cartéis, as acusações coincidiram com a queda de Alisson e expurgo do grupo do deputado Bestene da pasta. Para assumir o lugar de Alisson o governador importou de Brasília a equipe truculenta de Monica Feres, que além de brigar com os servidores da Saúde também não deu resultados a frente da Secretaria, por fim, o governador renomeou Alysson Bestene (PP), que comprovadamente já não havia dado resultados. Como consequência da balbúrdia, as unidades de saúde em todo o Acre vivem com problemas estruturais, déficit de médicos, medicamentos, além das grandes filas de cirurgias de média e alta complexidade não terem fluxo. Um verdadeiro deus nos acuda!

    Já a área de segurança pública até apresenta bons indicadores numéricos, porém, eles são questionados pela realidade do cotidiano, em que o cidadão é obrigado a conviver com violência: assaltos, homicídios, roubos, execuções. A guerra entre as facções continua pelos bairros da cidade, gerando medo e insegurança. Sentimentos expressos até por aliados de Cameli, como o senador Sérgio Petecão (PSD), que tentando se eximir da responsabilidade com o governo falou do seu medo de andar na cidade. Cabe destacar que a área é de difícil solução e que existe um esforço concentrado das polícias, dentro de suas limitações, para conter a violência, porém o certo é que passado um ano as promessas irresponsáveis e eleitoreiras de soluções rápidas feitas pelo secretário de Segurança, Paulo César, governador Gladson Cameli (PP) e nessa área mais especificamente, pelo vice-governador Major Rocha (PSDB), não passaram de promessas.

    Somadas a inoperância nessas três grandes áreas do governo, temos ainda inúmeras decisões administrativas equivocadas, como a realização de duas reformas administrativas, a segunda para tentar corrigir os erros da primeira. Diversas dispensas de licitação e licitações desnecessárias como a do jatinho para o governador. Inúmeras viagens sem explicação dos motivos, que custaram uma pequena fortuna em diárias. E a mais desnecessária de todas as medidas: a Reforma da Previdência Estadual, feita sem diálogo com os servidores, que ampliou o tempo de serviço e contribuições. Tão equivocada que para aprovar a medida, se fez necessário uso de força policial para impedir os trabalhadores de entrarem na ALEAC.

    Contudo, os problemas observados não podem ser atribuídos a atrapalhada equipe do governador e seus aliados, na minha modesta opinião, todo esse caos é consequências da fraca liderança do governador Gladson Cameli (PP), que é expressa na ausência de unidade no campo vitorioso nas urnas em 2018. Com a ausência de comando, as disputas eleitorais de 20 e 22 já permeiam toda atuação “dos governos” e suas equipes. Cada secretário, assessor, diretor ou CECs disputam uma guerra fratricida internamente defendendo seus futuros candidatos sem nem uma preocupação com o funcionamento da coisa pública ou a opinião do governador. Alimentando essa disputa interna, temos declarações públicas do senador Sérgio Petecão (PSD), do vice-governador Major Rocha (PSDB) e do deputado Flaviano Melo (MDB), que já preparam candidaturas inclusive ao governo e que terminam trabalhando dia após dia pelo insucesso do governo, para inviabilizar Gladson Cameli (PP).

    Dinheiro tem, houve ampliação dos repasses federais, o estado adquiriu mais alguns empréstimos, que atestam a saúde financeira do Acre. Além das emendas de bancadas da legislatura passada, que foram liberadas para aquisição de viaturas e manutenção de ramais e etc, mais as obras e recursos que já se tinha em execução. O que faltou mesmo nesse ano, no governo, foi gestão. E não adianta jogar a culpa em ninguém, o único responsável por essa inércia, por não conseguir gerenciar a equipe e nem dirimir os conflitos oriundos das disputas internas por poder se chama Gladson Cameli, governador do estado do Acre.

    Como diria Sun Tzu “Quando o comandante demonstrar fraqueza, não tiver autoridade, suas ordens não forem claras e seus oficiais e tropas forem indisciplinados, o resultado será o caos e a desorganização absoluta.”

    Feliz ano novo e que em 2020 possamos viver dias melhores.

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