Após alunos relatarem depressão em cartas, diretor pede apoio de psicólogos em escola

Em poucos dias de projeto, foram entregues 30 relatos de estudantes – Foto: Reprodução Rede Amazônica Acre

Ao perceber comportamentos estranhos por parte dos estudantes, o diretor de uma escola da rede pública da capital acreana, Rio Branco, resolveu desenvolver o projeto “Rosa do Deserto”.

O programa foi criado para ajudar alunos que passam por momentos difíceis, como a depressão e a ideia era que os jovens colocassem no papel o que os afligia.

Em poucos dias, foram entregues 30 relatos de estudantes. Uns que se sentiam excluídos, outros que queriam estar mais perto da família, que perderam pessoas especiais e até que foram violentados na infância.

“Mano, eu cheguei a um ponto de não querer conversar com ninguém. Me perguntam se eu estou bem, eu respondo que sim, mesmo não estando. Prefiro evitar explicações para não ser julgada ou ouvir que isso é besteira”, relata um depoimento de uma adolescente de 17 anos.

Os problemas iniciaram no ensino médio, quando ela começou a se sentir excluída pelos amigos da sala de aula. Ela conta que até chegou a pedir ajuda para a mãe algumas vezes.

“Quando eu sentia vontade de conversar com a minha mãe, eu via que não tinha o retorno dela, porque muitas vezes ela era ignorante comigo, ela não chegava para perguntar para mim: ‘minha filha, está acontecendo alguma coisa na escola?’. Ela só chegava dizendo: ‘tu só quer tudo do teu jeito’, sendo que não é assim. Não é tudo do meu jeito, eu só precisava de ajuda. Só que, para ela, eu era a errada e ela é a certa. Muitas vezes eu prefiro nem falar com ela, eu entro em casa calada e saio calada, sem poder conversar com ela e falar o que está acontecendo”, desabafou a menina.

O diretor da escola, Cleilton Pessoa Amaral disse que na sala da direção esses estudantes sempre encontram a porta aberta para entrar e conversar sobre tudo que os aflige.

“Hoje nós temos 30 jovens que nos procuraram para receber ajuda que a gente está buscando os canais públicos para poder dar essa assistência que eles precisam. A partir desse momento que a gente tornou público que estamos dispostos a ajudar, agora eles sabem que tem alguém para estar do lado deles, que é o que eles não têm do lado de lá. Se sentem sozinhos e desamparados”, disse o diretor.

Acompanhamento psicológico

A psicóloga Danyelle Monte fala que o papel do médico psiquiatra ou do psicólogo em caso de depressão maior, com intervenções medicamentosas são fundamentais.

“Então, a família sozinha não vai dar conta e a escola sozinha também não vai dar. É importante que esses grupos estejam unidos, interagindo em prol desse adolescente que está num processo de sofrimento psíquico”, alertou.

Um pedido foi formalizado na Secretaria de Educação de Rio Branco. A direção da escola quer que os estudantes tenham apoio psicológico.

“Nós iremos sim estar, juntamente com a escola, colaborando com os projetos que a escola já está desenvolvendo da área de psicologia. Se preciso, vão acontecer atendimentos individuais e atendimento mais clínico, serão encaminhados para a rede de saúde”, afirmou Irteni Nunes, psicóloga da secretaria.

Superar traumas e seguir a vida, é tudo que os estudantes querem. “Ajuda eu queria, só que eu queria que as pessoas parassem de pensar que depressão é besteira, que é o jovem querendo aparecer, porque muitas vezes não é”, disse a estudante.

Portal G1/AC

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *