“Vou estar sempre à disposição do meu Estado e do meu país’, diz Minoru Kinpara sobre possibilidade de se candidatar à prefeitura de Rio Branco em 2020

Na semana passada, Minoru visitou a redação do Página 20, oportunidade em que concedeu esta entrevista – Fotos: Cedida

Ex-reitor da Ufac foi o quarto mais votado na disputa ao Senado, com 14,21% dos votos válidos. Seu nome já começa a ser cogitado como um dos mais fortes para a disputa municipal que se aproxima

As eleições deste ano trouxeram boas surpresas. Entre elas destaca-se a iniciação do professor-doutor Minoru Kinpara no campo da política eleitoral. Minoru, ex-reitor da Universidade Federal do Acre (Ufac), disputou uma vaga no Senado da República pela Rede Sustentabilidade. Não foi eleito, mas despontou como o quarto mais votado, obtendo 112.989 votos (14,21% dos votos válidos).

Na semana passada, Minoru visitou a redação do Página 20, oportunidade em que concedeu esta entrevista. Durante a conversa, o professor confessou que está aberto a uma nova candidatura. Questionado se aceitaria ser candidato à prefeito de Rio Branco em 2020, limitou-se a dizer que é um “soldado” e completou: “Eu vou estar sempre à disposição do meu Estado e do meu país”.

Leia, abaixo, a íntegra da entrevista.

Apesar de não conseguir eleger-se, a sua votação foi bastante surpreendente para alguém que está estreando na política e que vivia apenas da gestão. A que se deve esse bom desempenho nas urnas?

Ter obtido esses 112.989 votos, foi muito gratificante. Eu, inclusive, quero agradecer, pois o sentimento de mudança foi muito forte e, essa mudança, essas pessoas entenderam que passava pela minha pessoa. Nós fizemos uma campanha falando o que fizemos na Ufac e falando aquilo que nós queríamos fazer pelo Acre e pelo Brasil, como, por exemplo, o projeto do hospital universitário, que é um projeto que iria beneficiar muito a saúde; o projeto do parque tecnológico que ia ajudar no desenvolvimento do Estado com ciência, inovação, tecnologia e geração de emprego, o projeto de expansão da Universidade Federal do Acre para os 22 municípios, gerando oportunidades para essa nossa juventude, e inúmeros outros projetos que nós apresentamos.

Nós fizermos uma campanha limpa, com as mãos limpas, olhando nos olhos das pessoas, falando a verdade, porque a gente sempre acredita que a maneira como você ganha uma eleição vai determinar como você vai exercer o seu mandato. Se alguém ganha uma eleição mentindo, trapaceando, enganando, depois que se transformar em um deputado, em um senador ou mesmo ocupar outra função pública, será que vai agir diferente? Eu acredito que não. Eu acredito quer a gente tem que olhar no olho das pessoas e falar a verdade. E foi assim que nós fizemos. Fizemos uma campanha fransciscana, no verdadeiro sentido da palavra.

“Nós fizermos uma campanha limpa, com as mãos limpas, olhando nos olhos das pessoas, falando a verdade”

E quanto a sua campanha usou de recurso?

Nós tivemos o fundo partidário que foi R$ 85 mil. Esse é um valor que, às vezes, é menos do que se gasta com uma campanha para vereador. Mas tivemos muita doação de amigos e tivemos a ajuda de um grupo multiplicador que acreditou nas nossas propostas. Esse grupo foi fundamental para levar nossa mensagem para o Estado todo. Para se ter uma ideia, nós ficamos em terceiro lugar em Rio Branco, que é o maior colégio eleitoral, em terceiro lugar em Cruzeiro do Sul e fomos muito bem-votados em todos os 22 municípios do Estado.

A minha sensação, então, é de alegria e de gratidão por esses 112.989 eleitores que demonstraram o desejo de mudança, e viram, na minha pessoa, um projeto de mudança.

O senhor recebeu o que pode se chamar de voto qualificado, que é composto por muitos formadores de opinião, como professores, pesquisadores, acadêmicos de modo geral, profissionais liberais, entre outros. Essas pessoas poderão funcionar, em um futuro breve, em impulsionadores de uma nova candidatura?

Não tenho dúvida. As pessoas que acreditaram e que votaram no nosso projeto se sentiram representadas. O mais importante quando se vota em alguém é poder olhar para esse alguém e dizer que se sente representado. “Votei porque aquela pessoa me representa”, é assim que se pode dizer. Isso é muito importante. Essas pessoas votaram porque acreditaram no nosso projeto, porque nós temos um trabalho, uma folha de serviços prestados para a Universidade Federal do Acre por meio da educação, e nós tínhamos propostas concretas. Nós fizemos uma campanha sem agredir ninguém, sem falar mal de A ou de B e com respeito ao eleitor, porque vivemos numa sociedade tão separada, tão dividida, que nós precisamos de pessoas que queiram unir esse País e que queiram melhorar esse País. É isso que nós precisamos.

E a agora, o senhor já tem alguma ideia do seu futuro? O senhor volta para a Ufac ou vai tentar alguma outra atividade na iniciativa privada ou mesmo em alguma ONG?

Eu renunciei à função de reitor da Ufac, porque, para ser candidato ao Senado eu teria que renunciar, mas, acreditando de fato que as pessoas querem mudanças, tivemos uma comprovação dessa questão, mas eu vou voltar para a universidade onde sou professor. Tenho muito orgulho de ser professor e vou voltar para a Ufac fazendo aquilo que gosto muito, que é ser professor. Onde eu estiver, na sala de aula, ou em qualquer outra função, eu vou sempre defender os princípios que eu sempre acreditei.

Eu acredito que a melhoria desse país passa, fundamentalmente, pela educação. Um país que não valoriza a educação, que não valoriza os professores, não tem futuro.

“Com relação à futura disputa eleitoral, não está nada consolidado e ainda é muito cedo para pensar nisso”, enfatizou Kinpara

E politicamente? O senhor pensa em enfrentar uma nova eleição para um cargo legislativo ou mesmo no Executivo?

Eu estou deixando a poeira baixar. Foram 45 dias de muita andança por esse Estado. Subi rios, desci rios, andei nos ramais, enfrentei sol e poeira conversando com as pessoas, descobrindo que as pessoas carecem das coisas mais simples, das coisas mais básicas. As pessoas não querem muito. As pessoas querem acesso ao direito de ir e vir, as pessoas querem saúde, pois, em alguns locais, em pleno século 21, quando se fica doente, têm que fazer o transporte em redes porque não existe outra forma de transporte. As pessoas querem segurança e outras coisas básicas.

Eu, como disse, a poeira está abaixando, mas sou um soldado. Eu vou estar sempre à disposição do meu Estado e do meu País. Mas, com relação à futura disputa eleitoral, não está nada consolidado e ainda é muito cedo para pensar nisso.

Mas já se cogita o seu nome para disputa municipal em 2020.

Quando eu entrei para administrar a Universidade Federal do Acre, eu chamei a minha equipe e disse que queria entrar para a Ufac para servir. Eu entendo que o político, em qualquer função que vá ocupar, está ali para servir, mas não é para servir de qualquer jeito, é para servir bem, com qualidade. Se as pessoas acharem que, no futuro, devem me dar uma oportunidade de continuar ajudando, eu estarei à disposição. Eu não fecho essa porta de jeito nenhum. Esta porta está aberta.

Hoje, no entanto, estou esperando a poeira baixar para poder fazer uma análise mais completa de tudo. Mas digo que estou torcendo muito para que os eleitos deem certo e que possam dignificar a eleição e a confiança que o povo lhes deu. Eu quero que as pessoas possam bater no peito e dizer: “Eu tenho orgulho daquele deputado, eu tenho orgulho daquele senador, tenho orgulho daquele governador e daquele prefeito”. As pessoas precisam hoje de outras que honrem e dignifiquem a política. Eu digo e afirmo que, hoje, nós vivemos em um caos, principalmente porque as pessoas se sentem presas. Mas o que mais mata no Brasil hoje não são as facções. Quem mais mata no País hoje são os políticos corruptos. Mas deixo claro que não são todos, que há boas exceções.

E sua posição e do seu grupo em relação ao novo governo, qual será?

Eu espero que tudo dê certo, que esse governo acerte, pois, se o governo acertar, vai ser bom para o Acre e para as pessoas que mais precisam. Nós vamos estar na torcida para que tudo dê certo. Eu não sou do tipo que diz “quanto pior, melhor”. Eu estou na torcida para que os que foram eleitos possam fazer a diferença e orgulhar o povo do Acre.

Da Redação