VENDA DA ELETROBRÁS SÓ SERVE A GRUPOS FINANCEIROS; AFIRMA EX-PRESIDENTE DA EMPRESA

A privatização da Eletrobras, empresa responsável por mais de 30% da geração de eletricidade e por 50% das linhas de transmissão de energia do país, é uma insistência de Temer. Em dezembro de 2017, o governo já havia editado uma Medida Provisória, a MP 814 de 2017, que acabou sendo suspensa pela Justiça Federal de Pernambuco em janeiro deste ano.

Na liminar, a Justiça argumentou que a MP atinge diretamente o patrimônio público nacional e que o governo não conseguiu justificar a urgência da medida. A privatização da Eletrobras inclui a venda de empresas como Furnas, Companhia Hidrelétrica do São Francisco, Eletronorte e Eletrosul.

Para Luiz Pinguelli Rosa, ex-presidente da Eletrobras e professor do Departamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a intenção do governo Temer passa longe de priorizar o interesse nacional.

“A palavra privatização é mágica para o governo. Alguns órgãos de imprensa e os grandes grupos financeiros que têm grande influência no governo querem a privatização, querem ganhar mais dinheiro. E o governo faz o papel de servir a eles. Não há nenhum interesse maior nacional ou da população que será favorecido por isso”, afirma.

A Eletrobras possui hoje ativos, ou seja, bens e direitos, no valor de quase 400 bilhões de reais, mas a expectativa de arrecadação do governo com a venda da estatal é de apenas 12 bilhões.

Brasil 247