VERSOS DE DESAMOR:

NOSTALGIA

Na tarde tristonha,
Estava eu morrendo,
Minh´alma sofrendo
A angústia dos sós…
Porém, de repente,
Teu vulto aparece,
E, como uma prece,
Eu ouço tua voz.

O mundo sombrio,
A dor que em mim arde,
As sombras da tarde,
A falta de calma…
Mas a melodia
Que cantas me encanta…
Tua voz me acalanta,
Perfuma minh´alma!

E como se eu fosse
Um teu velho amigo,
Divides comigo
as mágoas sentidas…
E o mesmo eu te faço,
Sem susto e sem medo,
Te abrindo o segredo
Das minhas feridas.

Nós dois pela tarde,
Dois seres, dois mundos…
Tormentos profundos
Matando nós dois…
Sofridos, perdidos,
Morrendo nas águas
De um rio de mágoas
Que a vida compôs.

Daqueles momentos
De grande ternura,
A tua doçura
Comigo ficou…
Ainda te escuto,
Ainda te vejo,
– Sublime lampejo
Que não se apagou!

Senti tua ausência,
Teus pés no caminho…
Fiquei tão sozinho
Nesta ansiedade…
E em meu mundo triste,
Às vezes suponho
Que tu foste um sonho
Que agora é saudade!
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EPITÁFIO
Ó minha ingrata querida,
No livro da tua vida,
– Este pedido eu te faço –
Reserva nele um espaço,
E escreve lá num recanto,
Que este alguém que te amou tanto
E a quem só deste amargor,
Morreu de morte de amor,
Na desventura completa…
E abaixo espero que ponhas
As oito letras tristonhas
Do nome deste poeta.
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(Do livro: Menino da Rua do Bagaço)