Ufac cria grupo de trabalho para discutir política de acesso e permanência indígena na instituição

A Universidade Federal do Acre (Ufac) acaba de instituir um grupo de trabalho para discutir e implementar políticas atuais de acesso e permanência dos povos indígenas no ensino superior. A decisão é resultado de uma reunião solicitada pela Federação do Povo Huni Kui do Estado do Acre à Reitoria.

Atualmente, o acesso da população indígena na Ufac dá-se, principalmente, através das ações afirmativas, garantidas pela lei nº 12.711/2012 que trata da reserva de vagas nas instituições de ensino superior do país, e do curso regular “Formação Docente Indígena”, implantado no campus de Cruzeiro do Sul.

A queixa de lideranças e ativistas indígenas, entretanto, diz respeito à dificuldade de garantia da autonomia do indígena no ambiente universitário que ainda prioriza o modelo eurocêntrico de ensino-aprendizado. “Compreendemos essa demanda e reconhecemos esse desafio. Com a criação desse grupo de trabalho vamos conseguir trazer à tona essas e outras discussões de modo a buscar a garantia da integridade intelectual e cultural dessa população”, disse o reitor da universidade, Minoru Martins Kinpara.

O grupo de trabalho está composto por membros da Pró-Reitorias de Graduação (Prograd) e Extensão e Cultura (Proex), além de integrantes do movimento indígena. A ele caberá a elaboração de Projeto Pedagógico, valorizando a diversidade cultural indígena; a elaboração de uma minuta que trate da política de cota específica do indígena por curso; e a operacionalização de um Pré-Enem em Rio Branco exclusivo para a etnia. A expectativa é de conclusão dos trabalhos em até 90 dias.

“Essa é uma ação importante, porque os indígenas formados acabam retornando à aldeia, colocando o conhecimento adquirido na universidade em benefício de seu povo. É uma resposta social da Ufac”, analisa Kinpara.

Assessoria Ufac