Tentativas futebol clube

Por: Valdeci Duarte (*), que diz: quem não tenta ser estrela, nunca encontrará um céu que possa brilhar.

Era uma vez um time que se chamava TENTATIVAS FUTEBOL CLUBE. Era de um povoado (r)existente a milhares de quilômetros do Planalto Central, no meio da Amazônia. Por lá, também existia a fábrica, localizada em todo o país chamada de Tentativas. Os empregados dessa fábrica decidiram formar um time de futebol, com objetivo de se divertirem e serem mais felizes.

A equipe era composta por estrelas. Essas estrelas eram trabalhadores braçais da fábrica. É bem verdade, que naquele rincão do norte, existia pouco céu para tantas estrelas querendo brilhar, mas de quando em vez, algumas daquelas estrelas se destacavam mais que outras. Isso engrandecia o time do clube da afamada fábrica das Tentativas.

Tentativas era uma oficina que fazia jus ao próprio nome. Desde sua criação, ela tinha esse nome Ten-ta-ti-vas. Era uma fábrica diferente. Ela foi instituída pelo país para criar as melhores possibilidades de acertos que um país rico poderia gerar. E a vida desse órgão supremo do tal gigante, apelidado por muitos de país do futebol, viveu o seu dilema de fazer experimentos em prol da solução para a terra futebolística. E aja ensaio aqui, aja exame ali e aja experiência acolá. Mas nada de solução, nem para o país, nem para o futebol, nem para vida do povo que já viviam perdendo as esperanças. E algumas dessas fábricas denominadas Tentativas Regionais já tinham alcançado o primeiro centenário.

Pois bem, os trabalhadores da fábrica das Tentativas criaram um time de futebol, só de trabalhadores da do chão da fábrica e na ausência de um nome específico, após partidas e mais partidas no tentamento de ganhar uma. Um dos mais inquietos do grupo chegou a seguinte conclusão:

— Vamos chamar nosso time de Tentativas Futebol Clube. O caboclo da Amazônia, lá do extremo norte foi aplaudido:

— Que gênio! — Diziam uns.

— Bravo! — Diziam outros.

— Nunca ganhamos, mas tentamos! — Diziam todos.

Foi uma excelente ideia, assim ficava tudo certo e se um dia conseguissem alguma vitória já iria gerar publicidade gratuita para a Fábrica que já era conhecida carinhosamente por esse nome, desde a sua criação, antes dos primeiros boicotes da Academia de Letras Interplanetária e das Galáxias, no continente.

Na ausência de nomes mais nobres, criativos e inovadores estava decido. A cambada de jogadores de fim de semana, em reunião extraordinária, na beira de um campo de futebol, ao acabarem de levar mais uma senhora goleada, decidiram por unanimidade que o time teria esse nome mesmo, afinal nunca tinham ganhado, se quer uma partida em uma disputa séria.

Naquele dia houve festa! A alegria foi pela decisão de elegerem o melhor nome para aquela euquipe. Tudo bem que só tinha um nome na eleição. Mas como na fábrica das Tentativas era sempre assim, unanimidade era a palavra de ordem, mesmo que não houvesse consenso internamente, o mundo precisava saber que a unanimidade nos termos das decisões existia no alto escalão da oficina das Tentativas.

Houve concorrência na escolha do nome do time. Foi até uma disputa justa, já que o nome concorreu com mais duas opções, o “nulo” e o “branco/preto”. Duas opções fortes, mas que não foram párias para a opção de unanimidade externa do time, que optou por chamar de Tentativas Futebol Clube, mesmo contra a vontade dos calados. Muitos sem voz discordavam da decisão, mas por lá era sempre assim: quem calava estava concordando unanimemente. Isso era regra de fundação do time.

Não é exagero dizer que fui jogador profissional desse time, quando ainda nem tinha esse nome. Minha ex-equipe do coração nunca passava das tentativas. Mas era bom tentar, afinal a bandeira levantada por lá era: quem não tenta ser estrela, nunca encontrará um céu que possa brilhar. Esse passou a seu um lema que abracei para outros ideais de vida.

Após incontáveis possibilidades houve uma investida do Tentativas Futebol Clube. Foi a contratação de um técnico para arriscar algum êxito. Por mais que fosse divertido fazer jus ao nome de viver no infinito tentamento e, nunca sentir o gostinho de vitória, era decepcionante para aquela reca de homem correndo desenfreadamente atrás de uma bola e nunca acertar o gol. A esperança era mesmo como acreditavam os genros ao dizerem que suas sogras eram as últimas a morrerem. Obviamente, isso não era de Deus. Xô satanás!

Mas a ajuda de um técnico para o Tentativas Futebol Clube não foi a solução. Basta qualquer desentendido de futebol, observar a dancinha que os técnicos de futebol viviam, após uma, duas, três derrotas que já seria o suficiente saber que o novo técnico do Tentativas Futebol Clube não teria história longa por lá.

Dito e feito, o moço contratado para ser técnico do Tentativas Futebol Clube não foi diferente da realidade do país do futebol, mas foram apenas três ou quatro dezenas de goleadas, emendadas uma na outra e o caboclinho pediu arrego. Aliás, nem pediu! Simplesmente não apareceu mais para treinar o Tentativas Futebol Clubes. O técnico profissional não suportou ver um time de estrelas em busca de uma fatia do universo para brilhar?

(*) Ex-jogador da eUquipe do

Tentativa Futebol Clube.