Solidariedade

Foto: Reprodução

Ontem, bem cedo da manhã, os senadores acreanos Sérgio Petecão (PSD) e Gladson Cameli (PP), juntamente com o deputado federal Flaviano Melo (PMDB), cumpriram agenda em Brasília, no Palácio da Alvorada, onde abriram o dia do moribundo presidente Michel Temer (PMDB).

Ato falho!

Ao constatarem que o ato de solidariedade a Temer recebeu repúdio generalizado da opinião pública nacional, a trinca de acreanos tratou de arranjar desculpas para o encontro.

Não foi bem assim!

Diante da bola fora, rapidinho fizeram circular através de seus ventríloquos da comunicação na imprensa local, que a agenda já estava prevista há dias, portanto, fora elaborada muito antes da denúncia veiculada na quarta-feira, dando conta das gravações nas quais Michel Temer dava aval para a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Tá bom!

A desculpa apresentada ao público pelos Cheleléus de Temer foi que a reunião tratou junto ao moribundo presidente sobre investimentos que serão realizados na recuperação de trecho da BR-364 e da BR-317, assim como recursos para viabilizar a continuação das obras na ponte do Rio Madeira e reforços na Saúde e Educação do Acre.

Quem é você?

A proximidade que os parlamentares acreanos, à frente dos quais está o senador Gladson Cameli (PP), propagavam deter junto ao golpista Michel Temer (PMDB), de uma hora para outra ganhou ares de institucionalidade. Agora eles já não ousam arrotar proximidade e defender o peemedebista.

Sai pra lá!

Dias atrás, era recorrente Cameli, Petecão, Flaviano, Vagner Sales, Eliane Sinhasique e toda a turma da oposição referir-se ao presidente como “o Michel”. Hoje, anunciam distância, como a tratar de um ser com doença contagiosa, e querem “apuração rigorosa” dos malfeitos praticados pelo mandarim peemedebista.

Testemunha ocular

A propósito do tsunami que atinge a política nacional, por pouco a executiva regional do PSDB, liderada pelo deputado federal Major Rocha e pelo deputado estadual Luiz Gonzaga, além dos prefeitos tucanos do Acre, não servem de testemunha para o baculejo que a Polícia Federal deu no gabinete do senador Aécio Neves, no dia de ontem, no espaço do Senado Federal.

Perigo

É que o grupo teve reunião com o cambaleante Aécio Neves na quarta-feira, definindo as estratégias do partido para as eleições 2018. Na ocasião, Aécio Neves garantiu que não há qualquer possibilidade de intervenção da Executiva Nacional no Diretório Regional tucano.

Vaza!

Resta saber se a garantia do senador mineiro, dada aos militantes tucanos do Acre, ainda vigora, uma vez que ontem ele foi enxotado pelos tucanos paulistas da presidência da sigla, que colocou interinamente em seu lugar o deputado paulista Carlos Sampaio.

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Sampaio assume o posto até que a executiva nacional da legenda convoque uma eleição para a escolha de um novo presidente, enquanto Aécio tenta se desvencilhar de suas desonestidades – performance que já lhe valeu o apodo de “Marcola da política”, numa clara alusão ao bandoleiro que comanda o crime organizado de São Paulo a partir da cadeia.

Polvorosa

Chega a notícia de que o senador Gladson Cameli estaria preocupado com a possibilidade de as delações agravarem ainda mais as denúncias envolvendo empresas de sua família no Estado do Amazonas.

Respingos

As denúncias contra o peemedebista certamente respingaram em Gladson, que desde agosto do ano passado, quando Temer assumiu o governo federal, vinha se portando como interlocutor dos interesses do povo acreano junto ao moribundo.

Orfandade

Para Marcio Bittar e o deputado federal Major Rocha resta o sentimento de orfandade. Com a saída de cena – e enorme possibilidade de prisão – do seu líder maior, as coisas, que não eram boas, tendem a piorar no ninho tucano.

Mui amigos!

Para o ex-prefeito Vagner Sales (PMDB), que até ontem se dizia aliado de primeira ordem de Michel Temer, uma vez que são amigos há mais de 30 anos, o clima também é de velório.

De Leão a gatinho

Além disso, Vagner tem visto seus apoiadores minguarem na administração de Cruzeiro do Sul, o que inevitavelmente enfraquecerá a candidatura à reeleição da filha Jessica Sales à Câmara Federal. São dois golpes que têm tudo pra fazer o Leão do Juruá miar como um gatinho.

Debandada geral

Foto: Da Assessoria

Pelo andar da carruagem, Temer ficará só. É o que se pode depreender do anúncio feito ontem pelo Major Rocha, segundo o qual ele está colhendo assinaturas para apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) pedindo a antecipação das eleições gerais de 2018.

Arregou?

Ocorre que Rocha é vice-líder do governo peemedebista na Câmara dos Deputados, o que significa que desde agosto tem afiançado ao moribundo o seu apoio incondicional a todas as propostas que saem do Palácio do Planalto.

As voltas que mundo dá

A fim de amenizar a traição e descolar-se da imagem do governo decadente, Rocha diz ter assinado um pedido de impeachment do presidente Temer, junto com outros sete outros deputados tucanos.

No meu não!

E, matreiro como só ele, o parlamentar tucano recorre ao discurso da necessidade de renovação no Congresso Nacional – coisa que ele, até antes de ontem, nem sequer cogitava. Enquanto o governo Temer cambaleava, Rocha o amparou. Agora que caiu, tenta tirar o seu da reta.