Senhor Deus dos desgraçados!

Pedro Álvares Cabral,
Que maldição, afinal,
Nos fez a sorte tristonha?
Será que em tua viagem
Não puseste na bagagem
A honestidade e a vergonha?

Seu Pero Vaz de Caminha,
Aqui, a planta daninha
Proliferou muito mais…
E esta minha triste gente,
Sofrida, pobre e indolente,
Não sabe mais o que faz!

Jesuítas, jesuítas,
Às vossas preces benditas,
Ninguém nos céus disse “amém!”…
De lá, Poeta, responde,
Onde é que Deus se esconde,
Que socorrer-nos não vem!

Castro Alves, vem de novo,
Chorar a sorte de um povo
– Os filhos dos degredados -…
Vem lançar ao infinito
Novamente aquele grito:
– “Senhor Deus dos desgraçados!”