Saudades

Lorena de Cáritas Dantas Tuma*

O litígio, a guerra,
De esterilidade
Inundou aquela terra.

Após não restar planície
Campos neutros,
Pássaros, amores, amantes
Escapei-me, doravante!

Deixando a terra atrás,
Ao ligeiramente caminhar
Luto, peso, pesar.
Em cada cavidade restou
De mim, uma metade,
E triunfante apoderou-se
De mim, a saudade.

De um lado a outro,
A incompletude, a dor
O conflito interno,
A guerra interior:
Seria eu um reles civil,
Ou um vil desertor?

Escapando da guerra
Intermitente
Tornei-me covarde, dissidente!

E ainda que finde
O conflito quase infinito,
De haver deixado tantas partes
De minha alma exilada
Já tão esfacelada, não amará
Nem será nunca amada.

E se porventura regressasse,
Onde vi a primeira primavera?
Inútil.
Dessarte, será apenas saudade,
Jamais serei o que fui, ou o que era!

*Arquiteta e urbanista