Reverso

Agência Aleac/Ascom CMRB

Há duas crenças populares que fazem parte do chamado ‘inconsciente coletivo’ do povo acreano. No que diz respeito à política local, a primeira delas é a ‘maldição’ que paira sobre aquele que se torna presidente da Câmara de Vereadores da Capital. A segunda é quanto ao líder do governo na Aleac.

Remember

Segundo a ‘lenda urbana’, tanto quem preside a Câmara Municipal da capital, quanto aquele que desempenha a espinhosa tarefa de liderar a bancada governista na Aleac, tende a sofrer revés nas urnas.

Beneficiado pelas urnas

As eleições deste ano foram atípicas em todos os aspectos, ao que parece. O presidente da Câmara, pastor Manoel Marcus (PRB), ao contrário do que registra a crônica política local, não apenas não sofreu nenhum revés nas urnas, como acabou beneficiado por elas na sua tentativa exitosa de ser eleito deputado federal.

Recondução

A outra ‘quebra de tabu’ diz respeito ao deputado estadual Daniel Zen (PT), líder do governo Tião Viana na Aleac. Zen foi, merecidamente, reeleito para o cargo nas eleições do último dia 7 de outubro.

Ambientação

Deputados estaduais eleitos fizeram uma visitinha à Aleac para – digamos – irem se ambientando ao novo espaço em que passarão a ocupar cargo a partir do dia 1º de fevereiro de 2019.

Casal empoderado

A deputada mais votada nas eleições deste ano, a primeira-dama do município de Sena Madureira, Meire Serafim (MDB), chegou acompanhada pelo marido, o prefeito Mazinho Serafim.

Deu xabu

Segundo relato de quem viu, deu xabu a visita do atual vereador Roberto Duarte Jr. (MDB) ao gabinete da correligionária Eliane Sinhasique, que não foi reeleita. Uma das assessoras de Sinhasique, mal-humorada com a presença de Duarte Jr., disse, seca, que ele esperasse ao menos que ele esperasse que ela e os colegas de gabinete pudessem ao menos tirar os pertences antes que ele tomasse conta do ambiente.

Meias palavras

Foto: Divulgação

Para o bom entendedor, meias palavras bastam. Foi o que fez a deputada federal reeleita Jessica Sales (MDB) ao afirmar que sua vitória nas urnas, bem como a da mãe, Antônia Sales (MDB), que vai ocupar cadeira na Aleac, se deveu à força política do pai, o ex-prefeito de Cruzeiro do Sul Vagner Sales (MDB).

Recado dado

O recado tinha como endereço o aliado e governador eleito Gladson Cameli (PP). Jessica fez questão de afirmar que não foi colocada sob as asas de Gladson, a sugerir que quem esteve sob a proteção política dele foi o adversário Rudilei Estrela (PP), que fracassou em sua tentativa de ser eleito para a Câmara Federal.

Sinais de fumaça

Se não há, por enquanto, nenhum foco de incêndio entre os atuais protagonistas políticos do Juruá, já se pode ver sinais de fumaça no horizonte.

Azedume

A propósito, discurso de agradecimento de Vagner Sales aos eleitores, feito logo que as urnas decretaram a vitória da esposa e da filha nas urnas, esteve mais para difamatório contra antigos aliados do que de gratidão aos eleitores.

Enquadramento

Quem acabou por se enrolar no dia da eleição foi o prefeito de Rodrigues Alves, Sebastião Correia (MDB), conduzido à sede da Polícia Federal sob suspeita de transporte ilegal de eleitores.

Sucessão

Gladson Cameli (PP) promete procurar o governador Tião Viana (PT) para tratar do processo sucessório. Anunciou que o fará, no mais tardar, na semana que vem.

Republicano

Encerrada a eleição, todos devem descer dos palanques. E um gentleman como é, o atual governante petista certamente fará uma recepção republicana ao adversário eleito para o cargo.

Promessa

Aliás, Gladson repetiu à exaustão que fará uma gestão sem olhar no retrovisor, ou seja, evitando arrumar justificativas para os problemas do Estado com base no que receberá do atual governo. A verificar.

Tendência

Com a política local em ponto morto após a decisão da eleição em primeiro turno, o foco agora é disputa presidencial. A regra desde a redemocratização, com a eleição direta para a Presidência da República em 1989, é que o primeiro colocado no primeiro turno seja eleito no segundo. Foi assim com Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff.

Ponderações

Jair Bolsonaro (PSL) chegou ao segundo turno com vantagem considerável sobre o seu adversário petista Fernando Haddad. Resta saber se a rejeição do primeiro não será o grande trunfo de Haddad, que conta com o apoio em peso dos eleitores do Nordeste.