Revelações e bastidores

Foto: Reprodução

Em áudio vazado do aplicativo de WhatssApp, o professor Carlos Coelho, servidor da Assembleia Legislativa do Acre e especialista em planejamento de campanhas eleitorais, se dirige a uma pessoa de prenome Artur, da oposição, para falar sobre a indefinição da coligação proporcional entre PP, MDB e PSD.

Rebeldia

O ponto específico do áudio é uma agenda política marcada para os municípios de Santa Rosa do Purus e Jordão, que por conta da indefinição da aliança proporcional entre os três partidos acima citados seria prejudicada. Segundo Coelho, os representantes do MDB e PSD não participariam das atividades no interior enquanto a questão não fosse resolvida.

Arrotando camarão

Em seguida, Coelho afirma que tem conversado com pessoas próximas ao senador Gladson Cameli, pré-candidato ao governo do PP. “Tu sabes que não tem eleição ganha, mas tem muita gente aí comendo sardinha e arrotando camarão”, diz ele, em referência ao ‘clima de já ganhou’ que impera entre os assessores do postulante ao Palácio Rio Branco.

Salto alto

“Eles acham que o Gladson já está eleito e que não precisam de mais ninguém”, acrescenta Coelho, em uma crítica direta não só aos apoiadores do senador como ao próprio pré-candidato, que já calçou o salto alto e vem agindo com desprezo em relação aos aliados dos demais partidos.

Decisão do MDB

Carlos Coelho alerta ainda o seu interlocutor ter obtido informação ‘quentinha’ sobre a disposição do MDB de ‘cruzar os braços’ caso a aliança proporcional não seja finalizada. Ele revela que o partido estará na campanha apenas em função da eleição do pré-candidato ao Senado da sigla, Marcio Bittar, e da recondução do deputado Flaviano Melo à Câmara Federal e da eleição dos estaduais.

Boicote branco

Dessa afirmação se conclui que a campanha de Gladson Cameli seria boicotada pelos prefeitos, parlamentares e militantes da sigla. “Em função do descontentamento pela não formação dessa chapa”, acrescenta Coelho.

Quem avisa…

Segundo ele, o PSD do senador Sérgio Petecão está ‘na mesma linha’. O recado tem por motivo fzer com que a coordenação da pré-campanha de Gladson seja avisada do problema, a fim de se evitarem o que o professor chama de ‘constrangimentos’.

Viagem sem volta

Coelho encerra dizendo que eles estão ‘muito próximos da vitória’, mas os erros que vêm sendo cometidos pela cúpula do PP, juntamente com aqueles que cercam o senador Cameli, podem levá-los a uma ‘viagem sem volta para Manacapuru’.

Ao arrepio da lei

Conforme matéria publicada no portal de notícias deste diário, a Câmara de Vereadores de Cruzeiro do Sul mantém em seu quadro de funcionários comissionados um assessor jurídico nomeado pelo presidente da Casa, Romário Tavares (MDB). Além de não constar no portal da transparência o nome desse servidor, nem o valor de sua remuneração, há o agravante de que o legislativo municipal ter contratado, em maio deste ano, um escritório de advocacia particular para a prestação de serviços jurídicos, a R$ 8 mil.

Pode isso, Arnaldo?

Segundo a matéria, a referida contratação mostra que um dos sócios da firma de advocacia tem como sócio o procurador jurídico da prefeitura de Cruzeiro do Sul, Jhonatan Donadoni.

Imoral

“A Lei Orgânica do Município não específica se há conflito de interesses no fato de um servidor público de um Poder vir a ser sócio de empresa contratada por outro. Mas é no mínimo imoral que a Câmara remunere um servidor para cuidar das questões jurídicas do órgão e tenha de recorrer aos serviços particulares de advogados”, diz a reportagem.

Desobediência jurídica

Mais grave que isso, porém, vem a ser o fato de que o atual presidente da Casa, vereador Romário Tavares (MDB), quatro vezes eleito para o cargo, não cumpre o que ficou estabelecido na própria Lei Orgânica do Município, promulgada em novembro do ano 2000.

Santo de casa

Segundo a Lei Orgânica de Cruzeiro do Sul, em sua seção VII, que trata da “Advocacia Geral”, no parágrafo 2º do artigo 54 consta o seguinte: “A partir da promulgação desta Lei, o ingresso na carreira de advogado da Câmara Municipal fica condicionado à classificação em concurso público de provas e títulos, realizado pela Advocacia Geral da Câmara, com a participação da Ordem dos Advogados do Brasil, Seção Acre”.

Maioridade penal

No final deste ano, a ilegalidade praticada por Romário Tavares e aqueles que o antecederam no cargo vai completar 18 anos, atingindo a maioridade.

Tô nem aí

O portal da Câmara de Vereadores cruzeirense revela que a Mesa Diretora, em especial o presidente da Casa, não está muito inclinado a resolver essa ilegalidade. Texto produzido pela assessoria do Legislativo municipal relata a apresentação da advogada Pâmela Oliveira como a nova assessora jurídica da Casa.

Substituição

“Pâmela Oliveira assumi (sic) o cargo deixado pelo ex-assessor Dr. Walter Martins (sic) falecido no mês de março e vem orientar o Poder Legislativo nas decisões jurídicas a serem tomadas”, diz o texto em português estropiado.

De pleno acordo

Ainda de acordo com o texto do site da Câmara, Romário Tavares explicou que a escolha da advogada Pâmela Oliveira para assumir a assessoria jurídica se deu após uma reunião da Mesa Diretora, na qual ficou definido o convite à advogada.

Farra

A mensagem oficial comprova que os membros da diretoria da Câmara endossam a transgressão à Lei Orgânica do Município, no que diz respeito à ocupação do cargo por profissional concursado. A farra de nomeações no Legislativo cruzeirense é uma prática comum também na prefeitura, atualmente sob o comando de Ilderlei Cordeiro.