Prendem o Lula. E depois?…

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Inicialmente – bem inicialmente – vamos dar nomes aos bois.

É um equivoco continuar falando em Golpe. Ele já foi dado.

Estamos numa Ditadura.

Uma Ditadura Neofascista.

Uma Ditadura da Burguesia, como afirmava Norberto Bobbio.

Sim. Burguesia. “Casa grande”, “Elites”, “Direita”, “Fundamentalistas”, são sinônimos da essência daquilo que golpeou o Brasil.

E a Ditadura foi construída, instituída e vai perdurar sob o lema da luta pela corrupção. A corrupção de séculos, em que ela tem Pós-Doutorado.

A maioria, os incautos, os leitores da Veja, os telespectadores da Globo – que necessitam subjetivamente do anestesiamento de seus sentidos para sobreviver à própria mediocridade, acreditam que a Ditadura veio para combater a corrupção.

Eles pensam que a corrupção é o tilintar das trinta moedas subtraídas de res-pública (a Coisa Pública).

Não.

Quando se mente, se manipula, corrompe-se a verdade; quando uma horda de políticos, com a maior desfaçatez do universo, rasga a Constituição, se corrompe o Estado de Direito; quando esses “espíritos ligeiros se entregam aos transportes de uma alegria frívola” (Cícero), irresponsável, carregada de grandes ódios, se corrompe a Democracia.

Outra coisa: a prostituição.

No senso comum, a prostituição é a atividade de quem obtém lucro através da oferta de serviços sexuais. E, as prostitutas devem ser respeitadas. Sua profissão é sinônimo da mais profunda dor da alma, da condição humana degradada, para uma sobrevida humilhante.

Não. Não somente.

Advindo do latim (prostituo, -ere), como verbo transitivo e pronominal, prostituição também é perder ou tirar a dignidade, aviltar, desonrar, rebaixar. E, principalmente, colocar interesses materiais à frente de princípios ou ideias. Ter a prostituição como modo de vida, neste sentido.

Não existem mais as honrosas exceções na estrutura jurídico-política brasileira.

O que existem são os honrosos SOBREVIVENTES!

Nesta nefasta Ditadura Neofascista (ou Ur-fascista, como afirmava Umberto Eco), se espalham, sem nenhum pânico de constrangimento, os falastrões sinistros, histéricos parlamentares em desespero e ferocidade; um contingente de juízes vingadores, fina flor da miséria jurídica; um Executivo deplorável, de pensares alucinados, contando apenas com a ignorância que lhes protege, ainda, tal qual um suporte: a sobressaltada letargia da classe média reacionária, que sussurra: “manipulem-me, manipulem-me”, implacavelmente desonesta.

Assim vejo a prostituição da Ditadura Neofascista dentro da acepção acima:

Todos estão prostituídos: o Executivo, o Judiciário, o Legislativo, a Polícia, a chamada grande mídia. Por quê? Porque evaporam a dignidade, aviltam as leis, desonram adversários, rebaixam a ética ao ponto de soterrá-la mais ainda no longo, fundo e escuro poço dos seus interesses particularistas (Bobbio), com suas ávidas unhas.

Volto a repetir: Não existem mais as honrosas exceções na estrutura jurídico-política brasileira. O que existem são os honrosos SOBREVIVENTES!

E, a estes honrosos sobreviventes, nos unimos.

Não quero juntar-me aos versos do poeta Tennyson, quando diz: “Em decorrência do que eu tenho visto, eu acredito no que não posso ver”. Prefiro Goethe, no seu Fausto: “Meu amigo, os séculos passados são para nós o livro dos sete selos: o que se chama o espírito do tempo não é no fundo senão o próprio espírito dos autores, em que os tempos se refletem”.

Nem quero propagar o “vento divino” (Kamikaze), dos pilotos xintoístas suicidas japoneses.

Temos ainda alguma liberdade, o que me remete a um paradoxo zen-budista: Discípulo: Qual o caminho para a libertação? Mestre: Quem está te acorrentando? Discípulo: Ninguém está me acorrentando. Mestre: Então, por que queres ser libertado?

Eu quero, sempre quis, ser liberto da Omissão. Não quero o mundo tranquilo dos que tem medo.

Até porque sei, acredito – que o “espírito do tempo” da Ditadura Neofascista, se assenta em três presságios da desgraça: a arrogância insolente; a demência especulativa; e o endividamento insuportável. A PEC da Morte 241 é o início do fim.

Desenhando: durante 20 anos todos os avanços do conhecimento, da revolução técnico-científica, estarão fora das escolas e dos hospitais públicos. Mas, encherão os cofres da educação e da saúde privatizadas. E tem muito mais, para pior.

Mas, ora, ora, não existe Ditadura Neofascista sem seus personagens, protagonistas. E, quer queiramos ou não, são seres humanos, mesmo que reles.

Os atuais ditadores, além da política, se dividem e depois se somam em dois extremos que somente a psicanálise explica: em um estão os psicóticos, cuja única realidade é seu pensamento distorcido e suas alucinações; em outro, os sociopatas, que não tem consciência e mal possuem um mundo interior, seu foco é explorar as pessoas “lá fora”. (Rudolph E. Tanzi, Neurocientista).

Daí a NEO-INQUISIÇÃO!

Os atuais ditadores preferem a fogueira, a derramar sangue.

Bom lembrar: “A Santa Inquisição adotava esse modo de execução para garantir uma concordância literal com uma bem intencionada sentença da lei canônica (Concílio de Tours, 1163): ‘A Igreja abomina o derramamento de sangue’”. (Carl Sagan).

Demonizaram apenas um, repito, apenas UM partido, o PT. Os outros partidos, os deles, são recatadas damas do lar.

Mas, não basta destruir (ou tentar destruir) o PT que, obviamente, cometeu vários erros. Mas, seus acertos são históricos.

É preciso destruir o ícone, o símbolo, aquele que faz ecoar a voz de um povo brasileiro: Lula.

Os 1% dos ricos que detêm o poder precisam aniquilar a reputação de um homem que representa a esperança de milhões e é uma referencia mundial. E, isso é um perigo para a Ditadura Neofascista.

A qualquer momento, Lula será vítima de mais um espetáculo grotesco: ele será preso. Sem provas, absolutamente sem provas, de nenhum crime.

Mais uma página vergonhosa da história será escrita. A comunidade internacional se mobilizará. A reação que o povo brasileiro terá é impensável, no momento.

Depois, o libertarão. Com uma provável “inelegibilidade” às eleições de 2018.

E Lula só continuará vivo se mantivermos viva, altiva, a bandeira da Liberdade.

Porque o Lula não é apenas um ser humano.

É uma alma que mantém viva as brasas das nossas esperanças.

E dessas brasas, faremos outra enorme fogueira – não da Inquisição – mas aquela que iluminará novos caminhos nesta escuridão que os ditadores acham perpétua.

Nada é perpétuo. Tudo se transforma.

Voltaremos a transformar.

Marcos Afonso é jornalista e professor.

Dedico e estendo este Varal para tod@s

meus colegas professor@s!

Hasta la victoria siempre!